Hospitais devem receber atrasados e aporte extra

Narley Resende


Brunno Brugnolo, Metro Jornal Curitiba  

O secretário municipal de Saúde, João Carlos Baracho, anunciou ontem o pagamento de R$ 26,5 milhões a hospitais da rede pública de Curitiba referente aos serviços prestados em dezembro. O valor – que de acordo com os hospitais estava atrasado – deve ser quitado amanhã ou no máximo até a próxima segunda-feira (9), dependendo da velocidade das operações bancárias.

Segundo Baracho, estes R$ 26,5 milhões (de um total de R$ 47 milhões repassados pelo Ministério da Saúde antes do Natal) sofreram desvio de finalidade. De acordo com um rastreamento da secretaria, ao invés de pagar os prestadores de serviços, o dinheiro foi transferido para outras 13 contas referentes a diferentes ações da pró- pria pasta da Saúde.

No último dia 29, a antiga gestão negou qualquer atraso nos pagamentos aos hospitais de Curitiba e afirmou que a maioria dos recursos foram recebidos pelo município em sua maioria a partir do dia 26. “Portarias do Ministério da Saúde determinam pagamento dos serviços executados e auditados e dão um prazo de cinco dias úteis a partir da entrada dos recursos nas contas”, disse à época, em nota.

Além dos atrasados, Baracho também anunciou mais duas medidas para atender os hospitais: um aporte extra de recursos na semana que vem e a antecipação do repasse do Ministério da Saúde referente a janeiro.

A secretaria não revelou valores, mas informou que a verba virá do município e que o próprio prefeito Rafael Greca (PMN) vai anunciar o aporte.

Já com relação a verba do SUS, a prefeitura espera repassar o valor ainda neste mês – ao contrário do que aconteceu em dezembro.

Gestores de hospitais apresentam ‘pontos críticos’ a prefeitura

O encontro de ontem entre secretaria municipal de Saúde e os representantes de hospitais que atendem a rede pública marcou a instalação do comitê gestor, criado para discutir mensalmente questões relacionadas aos hospitais. O secretário estadual da Saúde, Michele Caputo Neto, também esteve presente.

Já na reunião inaugural foram apresentados pontos emergenciais para amenizar a crise financeira das instituições. Segundo o presidente da Femipa (Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Paraná), Flaviano Ventorim, são quatro os principais: o pagamento em dia; a revisão da contratualização (estagnada há quatro anos); um plano de investimentos e a revisão da regulação (direcionamento de pacientes).

Sobre o segundo ponto, é aguardada uma revisão dos procedimentos de média e alta complexidade, que depende do governo federal. Já sobre o último, o presidente da Femipa diz que a capital perdeu pacientes de outras localidades, que teriam condições de serem atendidos aqui.

“Os pacientes de fora de Curitiba, de outras cidades e estados não vem mais para cá. A capital perdeu o protagonismo ao longo do tempo e, se Curitiba não faz, os outros fazem”, disse Ventorim a respeito do crescimento de hospitais na RMC, como o Angelina Caron e o Nossa Senhora do Rocio, em Campina Grande do Sul e Campo Largo, respectivamente.

“A nova gestão se mostrou comprometida. É um começo positivo e esperamos trabalhar juntos para resolver os problemas”, declarou. A próxima reunião do comitê está marcada para 25 deste mês.

 

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