Imprensa internacional repercute sobre atirador de Goiânia

Fernando Garcel


O ataque do adolescente que disparou contra colegas de turma no Colégio Goyases, escola particular de ensino infantil e fundamental, em Goiânia, nesta sexta-feira (20), repercute na imprensa internacional. O caso ganhou destaque nos principais jornais do mundo, como o inglês The Sun, FoxNews e BBC.

A BBC levantou que casos como esse não são comuns no Brasil, mas apontou que o país tem uma alta taxa de assassinatos. “Os tiroteios escolares deste tipo são raros no Brasil. No entanto, o país tem uma alta taxa de crimes violentos com quase 60 mil assassinatos por ano”, diz o jornal.

 

Atirador de Goiânia

Dois estudantes morreram e outros quatro ficaram feridos após um adolescente armado com uma pistola Ponto 40 disparar no Colégio Goyases, em Goiânia. O jovem era do 8º ano e vinha sofrendo bullying de colegas, o que o teria motivado a usar uma arma que seria do pai para cometer o atentado. O autor dos disparos é filho major e de uma sargento da Polícia Militar. O bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais estudantes contra um ou mais colegas.

O adolescente foi detido por dois homicídios qualificados e quatro tentativas de homicídio. O policial militar, pai do garoto, é ouvido na tarde desta sexta na Corregedoria da PM para explicar como o filho teve acesso à arma, que seria de propriedade do pai. O Ministério Público irá designar uma avaliação psicológica para decidir o procedimento que será adotado.

Uma colega, aluna do 8º ano, relata que o menino era chamado de “fedorento” pelos colegas. “Ele era todo calado, ficava com os colegas lá e eu nunca falei com ele. Chamavam ele de fedorento. Um aluno, acho que foi ele que morreu, levou um desodorante para ele, porque ele não passava”, disse em entrevista à rádio BandNews FM.

Professora derrubou atirador

“Tinha uma professora do meu lado e ela falou: deve ser experimento, que amanhã tinha um festival de ciências. Mas aí a (outra) professora gritou. É tiro, é tiro, ajuda aqui. Uma menina foi atingida no peito, do lado de trás, um foi atingido no braço, de raspão, outro nas costas de raspão, e tinha um menino caído no chão, com a boca toda sangrando em cima da mochila. Ele (o atirador) estava dentro da sala. Foram seis tiros, acho, provavelmente”, afirma a colega.

“Ela (a professora) falou que chutou o pé dele (atirador) e ele caiu. Ela estava atrás dele”, conta.

Bom comportamento

O delegado Luiz Gonzaga, da Delegacia de Polícia de Apuração de Atos Infracionais (DPAI), afirma que as testemunhas ouvidas relataram que o aluno não dava indícios de agressividade. “Mantinha um bom comportamento no colégio, nada que anunciasse uma tragédia como essa”, afirmou em entrevista à rádio.

“Foi somente uma arma só. A criança foi contida na coordenação da escola, foi retirado da escola depois. Está detido. A própria criança que atirou é da mesma sala de aula, com alunos de 14 a 15 anos. É uma situação muito triste, comove muito. Quando a gente faz um atendimento com criança, isso, com os bombeiros, com todas as pessoas, mas estamos aqui fazendo nossa parte”, afirma o coronel do Corpo de Bombeiros. “(O atirador) é filho de um militar, da Polícia Militar. O nome das crianças estamos preservando para não expor as pessoas. Não há professores e funcionários feridos”, afirmou o coronel.

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