‘Japonês da Federal’ é transferido para o Cope em Curitiba

Narley Resende


O agente federal Newton Ishii, que ficou conhecido na Lava Jato como o “Japonês da Federal”, foi transferido na noite dessa quarta-feira (8), por volta das 22h, para o Centro de Operações Policiais Especiais (Cope) da Polícia Civil em Curitiba.

A determinação para a transferência é do juiz Matheus Gaspar, titular da 4ª Vara Federal de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. A transferência estava programada para quinta-feira (9), mas aconteceu na noite anterior por causa da repercussão notícia da prisão dele na terça-feira.

Newton Ishii foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão em regime semiaberto pelo crime de facilitação ao contrabando. Investigações de 2003, da Operação Sucuri, mostraram que ele fazia parte de um grupo que facilitava a entrada de produtos ilegais no Brasil pela fronteira com o Paraguai.

Ao saber da condenação, Newton Ishii se apresentou à polícia espontaneamente. O Japonês da Federal também deve ser demitido da função de agente da PF.

Processo

Enquanto recorria da condenação, o agente federal trabalhava normalmente na Polícia Federal e até agora era o chefe da carceragem da Superintendência em Curitiba. Alvo da Operação Sucuri da Polícia Federal, Newton Ishii foi detido em 2003 e condenado a 4 anos e 2 meses de prisão em regime semiaberto. Na prática, ele deve cumprir 8 meses e 10 dias – o equivalente a um sexto da pena.

Desse total, já cumpriu 4 meses em 2003. De acordo com o advogado de Ishii, Oswaldo Loureiro de Mello Júnior, é provável que os 4 meses restantes sejam cumpridos em regime aberto com tornozeleira eletrônica ou em prisão domiciliar, porque não há unidade de regime semiaberto em Foz do Iguaçu. A defesa ainda avalia a conveniência de recorrer novamente.

Depois de o STJ negar o recurso mais recente, prevaleceu a decisão do Supremo Tribunal Federal, que determina condenados fiquem presos assim que tiverem sentença confirmada em segunda instância.

Além da prisão, outra consequência da condenação deve ser a demissão de Newton Ishii do serviço público. Depois da prisão em 2003, Ishii se aposentou em outubro daquele ano, mas, em abril de 2014 foi reintegrado à Polícia Federal, quando vários agentes federais tiveram aposentadorias suspensas.

Na chefia da carceragem da Polícia Federal em Curitiba, o agente acabou ficando exposto em imagens veiculadas na imprensa porque participava do transporte de presos para audiências ou em transferências.

As aparições renderam homenagens a Newton Ishii, com marchinha de carnaval e boneco inflável. Em fevereiro, o policial visitou o Congresso Nacional, em Brasília, e chegou a tirar selfies com políticos como Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Newton Ishii também é investigado por suspeita de vazar informações sobre operações da Polícia Federal.

Ele foi citado em uma conversa entre o ex-advogado do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, Edson Ribeiro, o senador Delcídio do Amaral, o chefe de gabinete do senador, Diogo Ferreira, e o filho de Cerveró, Bernardo. Alguns dias depois da divulgação, Bernardo Cerveró enviou uma carta com um pedido de desculpas a Ishii.

A Operação Sucuri, que deu origem à ação penal que condenou o policial, revelou que 23 agentes federais, sete técnicos da Receita Federal e três Policiais Rodoviários Federais estavam envolvidos na facilitação de contrabando em Foz do Iguaçu, que fica na fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina.

(Com informações da BandNews FM Curitiba)

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