Japonês da Federal reaparece em reintegração da UTFPR

O agente federal Newton Ishii, chamado de Japonês da Federal, que ficou conhecido por escoltar presos da Operação Lava J..

Narley Resende - 25 de novembro de 2016, 11:01

O agente federal Newton Ishii, chamado de Japonês da Federal, que ficou conhecido por escoltar presos da Operação Lava Jato, participou da reintegração de posse da Universidade Tecnológica Federal do Paraná, na manhã desta sexta-feira (25), em Curitiba.

Inicialmente com o rosto coberto com uma balaclava, Ishii apareceu no momento em que saiu do prédio, por volta das 7h. Com a touca levantada, foi ovacionado por um grupo contrário à ocupação que acompanhava o ação da PF. "Estamos parabenizando o trabalho do Japonês da Federal. Agora ele veio aí para acabar com a invasão", declarou um estudante contrário à ocupação.

Um manifestante favorável à ocupação, que fazia vigília em frente à UTFPR, questionou a presença do agente. "Ele não está condenado? Como continua trabalhando?", disse o manifestante identificado com Cesar. Apesar da presença de grupos antagônicos, a reintegração foi pacífica.

Ishii foi visto pela última vez na escolta de presos da Lava Jato no início de setembro, quando ainda usava tornozeleira eletrônica após se condenado por facilitar contrabando. Ex-chefe do setor da Carceragem da PF em Curitiba, Ishii acompanhou o pecuarista José Carlos Bumlai nesta terça e também fez escolta do ex-presidente da OAS Léo Pinheiro.

Depois da exposição do policial Lucas Valença, o “hipster da Federal”, que escoltou o ex-deputado Eduardo Cunha até a carceragem da Polícia Federal em Curitiba, e depois concedeu entrevistas não autorizadas pela PF, agentes passaram a usar a touca que cobre parte do rosto, durante operações.

Japonês da Federal condenado

Newton Ishii foi condenado a quatro anos e dois meses de prisão por facilitar a entrada de contrabando no país. Ele retirou a tornozeleira eletrônica a que estava submetido em outubro e cumpre pena em regime aberto.

O agente chegou a ser preso em Curitiba em junho deste ano. O mandado de prisão foi expedido pela Vara de Execução Penal da Justiça Federal de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná. O agente da Polícia Federal (PF) foi condenado por facilitação de contrabando a quatro anos e dois meses de prisão no processo da Operação Sucuri, deflagrada em 2003. Na época, ele ficou quatro meses preso, mas recorreu e respondeu em liberdade.

O agente chegou a ser afastado dos serviços pela própria Polícia Federal, sem prejuízo em seus vencimentos, mas o Tribunal de Contas da União determinou seu retorno ao trabalho. Ishii é Chefe do Núcleo de Operações da Superintendência da PF do Paraná e responsável pela escolta de presos.

Segundo a denúncia, os servidores públicos “se omitiam de forma consciente e voluntária, de fiscalizar os veículos cujas placas lhes eram previamente informadas, ou realizavam fiscalização ficta, abordando os veículos para simular uma fiscalização sem a apreensão de qualquer mercadoria“.

Newton Ishii recorreu da decisão, mas o Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento de recurso Especial, manteve a condenação dos agentes envolvidos.

Como é réu primário, Ishii deve cumprir um sexto da pena, o equivalente a oito meses e 10 dias e de acordo com o Oswaldo de Mello Junior, advogado de Ishii, o restante da pena é cumprido em regime aberto, com tornozeleira eletrônica, porque não existe unidade de regime semiaberto em Foz do Iguaçu.