Justiça concede prazo extra para PF entregar relatório final sobre a Operação Carne Fraca

Fernando Garcel


O juiz Marcos Josegrei da Silva, da 14ª Vara Federal de Curitiba, ampliou o prazo para conclusão do inquérito da Operação Carne Fraca para o início de maio. Além dos 15 dias contados a partir do dia 17 de março, a Polícia Federal (PF) pediu mais 15 dias para apresentar o relatório final da operação que investiga fraudes na fiscalização de frigoríficos.

> Íntegra do despacho

Em ofício protocolado nesta sexta-feira (31) no sistema da Justiça Federal, o delegado Maurício Moscardi Grillo revela que já foram ouvidas em depoimentos 79 pessoas conduzidas coercitivamente, 11 presos temporários e três presos preventivos. De acordo com o delegado, a polícia ainda precisa ouvir 22 presos preventivos, além do diretor da BRF André Baldissera, que foi solto depois de pagar R$ 300 mil de fiança.

No documento encaminhado ao juiz, o delegado Moscardi afirma que há conflito entre as declarações prestadas pelos conduzidos. Alguns deles podem ser convocados ou conduzidos novamente. Moscardi também disse que é preciso digitalizar todo o material apreendido na operação.

“Observa-se, em razão do conflito entre diversas declarações prestadas pelos conduzidos, a necessidade de reinquirição de inúmeros investigados com a finalidade de esclarecimento dos fatos que integrarão o relatório final”, disse o juiz.

No total, a Operação Carne Fraca cumpriu 309 mandados judiciais, sendo 37 de prisão. Do total, 36 suspeitos foram presos e apenas um continua foragido. Todos os 11 presos temporários foram soltos nos primeiros dez dias da operação. Em quase dois anos de investigação, a Polícia Federal afirma que encontrou fraudes em que as Superintendências Regionais do Ministério da Agricultura no Paraná, Minas Gerais e Goiás atuavam diretamente para proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público.

 

Repercussão negativa

Desde a deflagração da Carne Fraca, o governo federal reagiu argumentando que as fraudes representam um “fato isolado” e que a inspeção brasileira é “forte, robusta e séria”. Em um gesto para mostrar que não há preocupações generalizadas, o presidente Michel Temer se reuniu com embaixadores estrangeiros em uma churrascaria após apresentar números de que a operação atingiu apenas 33 dos 11 mil funcionários do Ministério da Agricultura.

A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) também fez críticas à operação. De acordo com a entidade, as afirmações sobre “dano agudo à saúde pública” que vieram à tona nos últimos dias “não se encontram lastreadas pelo trabalho científico” dos peritos da corporação.

“A atuação adequada dos peritos criminais federais nas demais etapas do procedimento investigatório, e não apenas no seu início e na sua deflagração, teria propiciado a correta interpretação dos dados técnicos em apuração, assim como a definição dos procedimentos técnico-científicos necessários para a materialização de crimes de fraude alimentar eventualmente cometidos pelas indústrias sob suspeição. Além disso, sem sombra de dúvida, teria poupado o país de tão graves prejuízos comerciais e econômicos”, disse a APCF.

 

Previous ArticleNext Article