Justiça mantém júri, mas reduz pena de doceira condenada por envenenar adolescentes

Andreza Rossini


Da BandNews Curitiba

A Justiça decidiu nesta quinta-feira (23) negar a anulação do júri da doceira Margareth Aparecida Marcondes, condenada a 30 anos de prisão por enviar bombons envenenados a uma adolescente em Curitiba, em 2012. No entanto, a pena da doceira, que está em liberdade, será reduzida devido a uma falha no cálculo da punição em relação a modalidade do crime.  O advogado Luiz Claudio Falarz, que defende Margareth, explicou que saberá qual será a nova condenação depois de recalculada a pena pelo desembargador relator do caso. A decisão deve ser publicada somente dentro de dez dias.

“Os desembargadores mantiveram o júri popular e reduziram a pena, que não será mais de 30 anos, será menor”, afirmou.

De acordo com a defesa, os desembargadores entenderam que deve ser aplicado o concurso formal de crimes, que é quando o agente, por meio de mais de uma conduta (ação ou omissão), pratica dois ou mais crimes e ambos são contabilizados separadamente. A doceira respondia por tentativa de homicídio triplamente qualificado e atualmente é monitorada por meio de uma tornozeleira eletrônica. O advogado Luiz Claudio Falarz, afirma que a cliente até hoje nega ter colocado veneno nos doces que intoxicaram os oito adolescentes.

“Sempre negou e continua negando. Isso é uma das teses que eu aleguei na apelação, além da falta de nexo causal para retirar umas qualificações que devem ser anuladas”.

Margareth foi condenada por enviar bombons envenenados à família da adolescente Thalyta Teminski havia encomendado os doces para a festa de 15 anos da garota. Antes, Margareth enviou algumas amostras para a casa da menor por meio de um taxista. A encomenda foi enviada com um bilhete que dizia para ela provar os doces. Além de Thalyta, que chegou a ficar internada na UTI por oito dias e teve duas paradas cardíacas, outros três menores também provaram os doces e passaram mal. Todos foram levados para o hospital com quadro de intoxicação.

Na época das investigações, a ré que era amiga da família da vítima, chegou a confessar o crime, mas não soube explicar o motivo. Segundo as investigações, a doceira recebeu R$ 7,5 mil para fazer os doces da festa, mas gastou o dinheiro. Ela teria, então, enviado os bombons envenenados na tentativa de adiar a comemoração. A perícia confirmou que os doces estavam contaminados com chumbinho, um conhecido veneno de ratos

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