Plataforma de inteligência artificial de combate à violência contra a mulher está disponível

Simone Giacometti


Um novo serviço está disponível para ajudar a combater a violência contra a mulher.  Lançada na Câmara Federal, por iniciativa da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, uma plataforma de inteligência artificial pretende ampliar a coleta de dados e disseminar informação sobre o tema.

O Projeto Glória foi idealizado pela professora Cristina Castro, da Universidade de Brasília (UnB). Ela reuniu empresas das áreas social e de tecnologia e criaram a robô Glória por meio de interfaces inteligentes e de autoaprendizagem, a partir de um conjunto de algoritmos capazes de evoluir com interações em linguagem natural com o usuário.

Por meio de experiências de interação com uso de inteligência artificial, os usuários poderão vivenciar comportamentos e atitudes de uma pessoa real. A robô Glória entenderá os fatos abordados e identificará soluções para a quebra do ciclo de violência contra mulheres e meninas.

A intenção é alcançar mais de 20 milhões de pessoas, e gerar relatórios com segmentação por faixa etária, local, dados socioeconômicos e padrão de ocorrências.

“Olá, eu sou a Glória. Minha missão é acabar com a violência contra mulheres e meninas. Sou uma somatória de todas as mulheres. Quanto mais eu aprendo, mais sou capaz de ajudar. Vamos juntos?”. Essa é a mensagem que pode ser escutada quando uma pessoa acessa a plataforma. De acordo com a professora que concebeu a ideia, a tecnologia pode ajudar a conter essa onda de violência.

Para Cristina, a tecnologia da Glória vai trabalhar o acolhimento. “Ela é uma somatória, soma de todas nós mulheres. Eu me enxergo nela quando eu converso. A Glória não vai nunca julgar”. Como é uma plataforma de inteligência digital, no site www.eusouagloria.com.br, e nas mídias sociais é só digitar Eu sou a Glória no Facebook, Instagran e Twitter. Ela também estará em totens em eventos.

“Ela poderá esclarecer dúvidas sobre os tipos de agressão, as medidas judiciais. Quem a mulher pode chamar, a quem eu posso recorrer? Essas e outras informações estarão disponíveis”, fala a professora.

Ao explicar como surgiu a interface que apresenta a Glória, Cristina Castro conta que “A Glória é uma mulher negra, com idade aproximada de 24 a 25 anos, com olhos muito fortes e puxados, foi foi criada pelo desenhista Toninho Euzébio. A interface foi inspirada na soma de várias mulheres”conta ela.

Violência contra a mulher

De acordo com os Relógios da Violência, desenvolvidos pelo Instituto Maria da Penha, uma mulher é vítima de violência física ou verbal a cada 2 segundos no Brasil. A maior parte dos casos é reincidência.

Foram registradas 221.238 denúncias de violência doméstica em 2017. Mais de 606 casos por dia. Os estupros tiveram um crescimento de 10,1% de 2016 para 2017. Ao todo, 61.032 casos foram denunciados. Mortes consideradas feminicídio somaram 1.133 casos.

Previous ArticleNext Article