Legado do pré-sal, obras do Centro Marinho podem começar em breve

Narley Resende


Brunno Brugnolo, Metro Jornal Curitiba 

A construção do Centro de Pesquisa e Reabilitação de Animais Marinhos, em Pontal do Paraná, litoral paranaense, prevista para o começo deste ano – entre fevereiro e março – ainda não foi iniciada. Contudo, a previsão é de que as obras possam começar em dois meses e terminar ainda no fim deste ano.

O motivo para o atraso é a falta de licença de instalação, que precisa ser concedida pelo IAP (Instituto Ambiental do Paraná), uma vez que existe verba reservada e até a empresa responsável pela construção.

Segundo a futura coordenadora do espaço, que hoje coordena o Centro de Reabilitação Temporário e o LEC (Laboratório de Ecologia e Conservação) do Centro de Estudos do Mar da UFPR (Universidade Federal do Paraná), Camila Domit, os documentos necessários só foram entregues ao órgão na primeira quinzena do mês passado.

“O desenvolvimento de todos os relatórios e projetos necessários levou tempo devido a grande lista de exigências para o empreendimento. O procedimento é bem detalhado”, explicou.

De acordo com Domit, o IAP fez uma visita técnica ao local na quarta-feira passada. “Agora aguardamos o parecer. O contrato está em atraso, mas estamos confiantes que o aval possa sair até junho [mês que vem] e tendo a licença a obra começa em no máximo 30 dias”, declarou.

Em caso positivo, o parecer do IAP ainda precisa ser aprovado pelo Colit (Conselho de Desenvolvimento Territorial do Litoral Paranaense).

Financiado pela Petrobras, o local é um legado do Pré-Sal e faz parte do Projeto de Monitoramento da Bacia de Santos-SP, de 800 km de Ubatuba-SP a Laguna-SC – e em Pontal será administrado pela UFPR.

Se a obra começar de fato em julho, a expectativa é de que o espaço de 940 m2 possa ficar pronto ainda em dezembro.

“O Centro terá pouco impacto no ecossistema, com contêineres marítimos adaptados e deve ficar pronto em seis meses. Talvez sem operar, mas próximo disto”, comentou Domit.

Importância

Permanente, o novo espaço será três vezes maior do que o atual – temporário –, com aumento substancial nas áreas dos recintos (espaços para o animal se reabilitar antes de voltar à natureza).

“Na hora em que tivermos o Centro, vamos ter condições de tratar mais, melhor e principalmente com maior velocidade”, afirmou a bióloga da UFPR.

O Centro, que será erguido em uma área cedida pela União para a UFPR, em Pontal do Sul, terá até uma zona de despetrolização, para animais que possam vir a ser contaminados por vazamentos de petróleo.

Com monitoramento diário em todo o litoral do Estado nos últimos dois anos, o LEC encontrou mais de três mil animais mortos – e menos de 20% disto vivos –, principalmente aves e tartarugas devido a degradação do habitat, sobrepesca, capturas acidentais, contaminação química (esgoto), e o lixo despejado no mar.

Lixo é achado em 3/4 das mortes

Somente no último ano, cerca de mil tartarugas marinhas foram encontradas mortas do litoral do Paraná. Do total, 74% tinha lixo dentro do corpo, segundo uma mostra científica feito por um trabalho de mestrado da universidade.

“O plástico, por exemplo, adquire uma camada de microalgas e fica sem cor, gosto ou cheiro de lixo, como se fosse um alimento”, explicou Domit.

A maior incidência acontece nas tartarugas-verdes. O problema também se repete em menor escala em aves costeiras e oceânicas como gaivotas, jatobás, fragatas e albatrozes.

Animais com lesões graves têm que viajar

Até que o Centro de Pontal do Sul comece a operar, os animais marinhos com lesões mais sérias e necessidade de tratamento mais longo, precisam viajar para outros estados, já que não a estrutura atual não dá conta.

“Hoje não existe nenhum centro de triagem, estabilização ou reabilitação da fauna permanente. O Estado está bem desprovido de atendimento. Com o novo espaço, vamos pelo menos poder atender a fauna marinha e costeira”, explicou a bióloga.

Na quinta-feira passada, uma tartaruga-verde precisou ser levada de carro ao Projeto Tamar de Florianópolis-SC para receber tratamento adequado.

Atualmente, o Centro temporário trata de animais debilitados e com lesões leves por até 30 dias. Na fim da semana passada, duas tartarugas-verdes juvenis estavam no local, que já chegou a receber dez aves e cinco tartarugas ao mesmo tempo.

Segundo Domit, se um golfinho precisar de tratamento hoje, uma estrutura temporária vai ter que ser montada com barracas de campanha.

“Se houver uma chegada grande de pinguins, que é possível no inverno, não vamos ter condições de atender”.

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