Mãe de brasileira morta em Portugal diz não ter como trazer corpo ao Brasil

Narley Resende


Mãe da brasileira morta por engano pela polícia de Lisboa, em Portugal, Maria Luzia Carvalho da Costa afirma que não tem dinheiro para trazer o corpo da filha ao Brasil. Maria Luzia afirma que o governo brasileiro não entrou em contato até a tarde desta quinta-feira (16) e não há previsão de como será o enterro.

“Só [falei] com a minha irmã. Até agora ninguém [do governo brasileiro entrou em contato]. Não tenho condições de trazer a minha filha. Eu nem sei quanto custa”, afirma.

Em nota, o Itamaraty diz estar dando suporte à família da vítima. Em função de o caso estar em segredo de Justiça, o consulado não se manifestou sobre o ocorrido.

A filha de Maria Luzia, Ivanice Carvalho da Costa, de 36 anos, natural de Amaporã, no Noroeste do Paraná, morreu após ser baleada no pescoço, pela polícia, na madrugada da última quarta-feira (15) em Lisboa.

Os policiais confundiram o carro em que a ela e o namorado estavam, um Renault Megane preto, com um Seat Leon preto que havia escapado de uma perseguição policial minutos antes, no bairro de Encarnação, próximo ao local onde a brasileira foi atingida, segundo a imprensa portuguesa.

De acordo com a Polícia de Segurança Pública de Lisboa (PSP), o condutor do carro não obedeceu à ordem de parada e tentou atropelar os policiais. Ainda segundo informações da polícia, o Renault Mégane ficou cravejado por pelo menos 20 balas disparadas por agentes da PSP.

Ivanice Carvalho da Costa foi morta por engano em uma ação policial em Lisboa. Foto: arquivo pessoal
Ivanice Carvalho da Costa foi morta por engano em uma ação policial em Lisboa. Foto: arquivo pessoal

Notícias da filha

De acordo com a mãe, a mulher se mudou para Portugal há 17 anos e trabalhava em uma loja no aeroporto.  Maria Luzia conta que soube da morte da filha por telefone.

“Minha irmã que mora em Lisboa ligou para uma amiga minha porque não teve coragem de me ligar. Minha amiga também não teve coragem de me contar tudo. Então quando liguei para minha irmã perguntei se era grave, onde era o tiro. E ela falou que foi no pescoço. Perguntei se estava muito grave. E ela falou ‘ela não está mais ente nós'”, disse emocionada em entrevista à rádio BandNews FM.

Maria Luzia afirma que soube que o genro dela não parou no bloqueio policial por não ter habilitação para dirigir.

“Ele não foi atingido. Prenderam ele para ouvi-lo, mas depois liberaram. Porque confundiram o carro dele com o de bandidos, diz-se que era parecido.  Que teve um assalto e mandaram ele parar, foi o que eu fiquei sabendo. E como ele não tinha habilitação ele não parou. Aí os policiais atiraram”, conta.

Leia íntegra da nota da polícia portuguesa:

“Nota de Imprensa

A PSP informa que hoje [quarta-feira], pelas 3h05, no Pragal, em Almada, ocorreu um furto por arrombamento, pelo método de explosão, a uma caixa multibanco.

Seguindo o protocolo operacional aplicável a estas situações, foi difundida via rádio, a todo o dispositivo policial da área de Setúbal, Lisboa e regiões adjacentes, a ocorrência do furto e as informações disponíveis sobre a mesma.

Seguidamente, na 2.ª circular, em Lisboa, no sentido Benfica-Sacavém, foi detetada uma viatura suspeita com as características correspondentes à viatura usada no furto. Os suspeitos que se faziam transportar na viatura, ao detetarem a presença policial, encetaram, de imediato, fuga na direção da Rotunda do Relógio, circulando em diversas vias a alta velocidade e em contramão, colocando em perigo todas as pessoas que ali se encontravam.

Já nas imediações do Aeroporto Humberto Delgado, foram efetuados por parte dos suspeitos diversos disparos com arma de fogo contra os agentes da PSP que os perseguiam, ao que estes ripostaram, igualmente recorrendo a arma de fogo.

Pelas 3h35, na zona da Encarnação, foi detetada, por elementos policiais, uma viatura que aparentava corresponder às características da viatura suspeita, cujo condutor desobedeceu à ordem de paragem. Esta viatura, durante a fuga, tentou atropelar os polícias, que tiveram de afastar-se rapidamente para não serem atingidos e, em ato contínuo, os polícias foram obrigados a recorrer a armas de fogo. Mais à frente, a viatura voltou a desobedecer à ordem de paragem por outra equipa de polícias, tendo sido intercetada pouco tempo depois.

Constatou-se, minutos depois, que na viatura seguiam um homem e uma mulher, encontrando-se a mulher ferida por impacto de projétil de arma de fogo.

De imediato a cidadã ferida foi assistida pelos agentes e pelos meios de emergência chamados ao local. Apesar de todos os esforços, a vítima, acabaria por falecer. O homem que conduzia a viatura foi detido por condução sem habilitação legal, por desobediência ao sinal de paragem e por condução perigosa.
A Polícia Judiciária foi, de imediato, chamada ao local.

Foi, entretanto, determinada pela PSP a instauração de um processo de averiguações para esclarecer as circunstâncias do ocorrido.

Foi dado conhecimento da ocorrência à Inspeção Geral da Administração Interna.

A PSP lamenta a morte da cidadã envolvida na ocorrência.

Lisboa, 15 de novembro de 2017″

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