Meio Ambiente fomenta desenvolvimento sem perder foco da preservação

Redação


Colunista Pedro Ribeiro

A região Sudoeste do Paraná é a região do planeta com maior número de produção animal por metro quadrado. São, também, 80 mil quilos de carcaças de animais mortos por dia que não tem um destino adequado.

Ao mostrar uma lista com 96 processos aprovados pelo Conselho de Desenvolvimento Territorial do Litoral Paranaense em 2017, a maioria autorizando licenças ambientais para o desenvolvimento de ações atendendo às demandas dos municípios para políticas públicas de infraestrutura e desenvolvimento, o secretário do Meio Ambiente do Estado, Antonio Carlos Bonetti, afirma que este ano foi “positivo à área ambiental e que 2018 será ainda mais produtiva”.

Em entrevista ao Paraná Portal, o secretário sustenta que tudo é “fruto de um trabalho de equipe, marcado pelo diálogo e conscientização sobre a necessidade de investimentos para a melhoria da qualidade de vida dos paranaenses sem, jamais, perder o foco da preservação ambiental”. A estratégia adotada pela SEMA descartou o confronto direto com ambientalistas e organizações não governamentais radicais e priorizou o diálogo, envolvendo gestores públicos municipais, legisladores, empresários e a sociedade civil organizada. “Descentralização e transparência” são as palavras de ordem na gestão ambiental, afirma Bonetti.

O vasto campo está sendo preparado. Se depender do secretário, formado em Tecnologia Gestão Pública pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná, em Francisco Beltrão, duas vezes prefeitos de Enéas Marques, o Paraná poderá se transformar em modelo de gestão ambiental ao Brasil. Há muita desinformação em relação à área ambiental, principalmente quando se trata de intervenção na região litorânea, onde o Paraná possui uma das florestas mais preservadas do Brasil, observa Bonetti.

pico paranaDesenvolvimento do litoral

O secretário explica que o Litoral do Paraná terá um estudo que norteará o crescimento da região de forma sustentável. O governador Beto Richa assinou terça-feira (19) convênio com um consórcio de empresas que desenvolverá o trabalho responsável por balizar o crescimento dos municípios da região. A expectativa é que o estudo seja finalizado em um ano. Este plano, diz o Bonetti, terá financiamento junto ao Banco Mundial e será gerenciado pela Secretaria de Estado de Planejamento e Coordenação Geral.

O plano de estudo será dividido em cinco etapas: montagem do plano de trabalho; levantamento de dados da região; construção de cenários e visão de futuro; criação do plano de ação e conferência regional, momento em que será apresentado o resultado do estudo. Bonetti ressalta que todas as etapas terá participação da sociedade que será convidada para discutir todo o programa através de audiências públicas.

Nos últimos sete anos, o Governo do Estado destinou R$ 1,34 bilhão aos municípios litorâneos para a melhoria da saúde, educação, turismo, desenvolvimento urbano, assistência social e segurança pública. “Recursos que, além de colaborar com com a geração de renda e emprego, melhoram o turismo da região”, lembrou o governador Beto Richa durante o lançamento do Plano de Desenvolvimento do Litoral.

Agrotóxico e lixões

Bonetti falou de sua preocupação com agrotóxicos, com o lixo urbano e descarte de carcaças de animais mortos, principalmente nas regiões produtores de suínos e aves. As ações da Secretaria do Meio Ambiente estão em todo o Estado, onde “nossos técnicos estão capacitando profissionais e gestores públicos para ações na área sem prejudicar o meio ambiente. São trabalhos de orientação sobre conservação do solo, matas ciliares, preservação de matas e florestas, como lidar com resíduos e lixo”, observa. Os prefeitos, proprietários rurais serão orientados, inclusive, sobre o ICMS ecológico.

Sobre o agrotóxico, uma das preocupações dos gestores do meio ambiente, Bonetti disse que o Paraná é um dos estados mais preparados para lidar com esses produtos dentro da logística reversa de embalagens para agrotóxicos, mas ainda “precisamos melhorar muito”, ponderou. Ele acompanha as novas tecnologias para a diminuição do uso do agrotóxico, em especial das embalagens que são os riscos maiores de poluição ambiental e principalmente do solo.

Carcaças de animais

Para o secretário, outro problema que requer atenção especial é quanto ao destino dado ao lixo urbano. Segundo ele, ainda faltam financiamentos públicos para o setor de coleta, remoção e tratamento e este é um dos maiores desafios em todas as cidades. Os aterros sanitários e os lixões tiram o sono de qualquer gestor ambiental, disse.

Bonetti, que é nascido na região sudoeste do Paraná e onde a família é produtora de suínos, revelou ao Paraná Portal, uma outra grande preocupação: o que fazer com a carcaça dos animais mortos. A região sudoeste do Paraná é a região do planeta com maior número de produção animal por metro quadrado. Segundo ele, são 80 mil quilos de carcaças de animais mortos por dia que não tem um destino adequado. São enterrados a beira de rios, em terrenos não apropriados, sem qualquer cuidado com o solo e os rios, lamenta.

Despoluição do Belém

Bonetti revela que, enfim, o rio Belém, que atravessa a capital paranaense, será despoluído através de ações de educação ambiental, conscientização da população, limpeza e ações diretas na fonte que envolvem um plano de saneamento básico com tratamento da água e de esgoto sanitário. Uma dessas ações no rio Belém consiste na utilização de filtros (jardim filtrante) que poderão, dessa forma, estimular a população a participar, inclusive com paisagismo ao longo de seu leito externo.

Agenda 2030 para o desenvolvimento

Para se ter uma noção da preocupação global com a área ambiental, foi criada a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável. Trata-se de um plano de ação adotado em 2015, durante a Cúpula de Desenvolvimento Sustentável do Rio de Janeiro, por 193 países integrantes da ONU. Essas nações se comprometeram a atingir objetivos até o ano de 2030. Esse plano foi desenvolvido e é coordenado pelo PNUD (Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas).

A Agenda 2030 é composta de 17 objetivos e 169 metas a seres atingidas. Além da participação do governo, o plano também prevê a participação de ONGs, empresas privadas e os cidadãos em geral.

Se estes objetivos forem atingidos, em 2030 teremos um mundo mais justo, desenvolvido, sustentável e com dignidade e qualidade de vida adequada para a maioria da população mundial.

Focos centrais da Agenda 2030:

  • Acabar com a fome e a pobreza extrema no planeta.
  • Combater a desigualdade e a injustiça.
  • Possibilitar a proteção do clima (contenção das mudanças climáticas) e da natureza.
  • Viabilizar ações em conjunto (parcerias) entre os países-membros.
  • Possibilitar o desenvolvimento sustentável, ou seja, crescimento econômico com a proteção do meio ambiente.
  • Promover a paz, a justiça e a inclusão na sociedade.

Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)

  1. Erradicação da pobreza.
  2. Fome Zero.
  3. Boa saúde e bem-estar.
  4. Educação de qualidade.
  5. Igualdade de gênero.
  6. Água limpa e saneamento.
  7. Energia acessível e limpa.
  8. Emprego digno e crescimento econômico.
  9. Indústria, inovação e infraestrutura.
  10. Redução das desigualdades.
  11. Cidades e comunidades sustentáveis.
  12. Consumo e produção responsáveis.
  13. Combate às alterações climáticas.
  14. Vida debaixo d´água.
  15. Vida sobre a Terra.
  16. Paz, justiça e instituições fortes.
  17. Parcerias em prol das metas.

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