Mortes no trânsito no Brasil subiram 25,7% em 10 anos

Julie Gelenski


Com Rafael Neves / Metro Jornal Curitiba

Apesar de campanhas e melhorias em infraestrutura, o Brasil ainda luta para reverter uma curva crescente no número de mortes no trânsito: em 2014 se perderam 44.471 vidas em ruas e estradas do país, 25,77% a mais do que as 35.358 de 2004, uma década antes.

Os dados foram compilados pela cervejaria Ambev e a consultoria Falconi na terceira edição do relatório “Retrato da Segurança Viária”, que cruza informações de vários órgãos dos Transportes e da Saúde no país.

O relatório aponta que o número de mortos no trânsito nesse período cresceu acima do aumento populacional: em 2004 foram 19,7 mortes para cada 100 mil habitantes, contra 21,9 dez anos depois.

A piora na segurança das estradas é puxada pelos motociclistas. Em 2003, segundo o estudo, eles representavam 19% dos óbitos no trânsito no Brasil, contra 43% de pedestres e 32% de motoristas.

Já em 2014, enquanto a proporção de pedestres e motoristas mortos caiu para 24% e 32%, respectivamente, a de motociclistas saltou para 37%.

Hoje, quem anda de moto é quem mais morre nos acidentes no Brasil. A situação é mais sentida na região Nordeste, onde a piora foi mais sensível na última década.

No Piauí, estado com o trânsito mais perigoso do país, 67% dos mortos em 2014 eram motociclistas.

Frota de motos cresce mais 

Moto
Renato Araújo/ Agência Brasília

O perigo para os motociclistas no trânsito é visto especialmente no Nordeste.

A região concentra os três estados em que as motos têm o maior peso, internamente, nas mortes: Piauí (67%), Rio Grande do Norte (60%) e Maranhão (59%).

Parte desse cenário se deve à explosão da frota. De 2003 a 2014, o número de motos no país foi de 6,2 milhões para 23 milhões, um aumento de 270%. As frotas de carros (elevação de 110%) e caminhões (81%) subiram menos no período.

Perspectivas

Os dados mais recentes são de 2014 porque se baseiam no DataSus, o banco de dados da Saúde.

As estatísticas vêm também de mortos e feridos em hospitais, não só imediatamente após as ocorrências.

Há razões para otimismo: a taxa de 2014, de 21,9 mortos por 100 mil habitantes, foi menor do que em anos recentes.

No auge, em 2012, foram 45.689 vítimas, ou 23,6 por 100 mil habitantes.

Além do poder público, o setor privado busca melhorar os números. Ao lado do banco de dados, a Ambev, por exemplo, distribui bafômetros e faz campanhas de conscientização.

“São inúmeras as ações para que mudanças efetivas aconteçam e o trabalho em rede é fundamental”, avalia Pedro Mariani, vice-presidente de relações corporativas da Ambev.

Centro-Oeste é a região mais perigosa do país Tabela trânsito

Considerando a taxa de mortos por 100 mil habitantes, a região Centro-Oeste é a mais violenta no trânsito no Brasil.

Em 2014 foram 31 óbitos em acidentes por 100 mil habitantes, bem acima do Nordeste e do Sul, que vêm em seguida com 23,9.

Os três estados da região estão entre os mais perigosos: Mato Grosso é o 3º (com 37,4 mortos para 100 mil habitantes), Mato Grosso do Sul é o 4º (32,7) e Goiás é o 5º (32,4).

O trio perde apenas para o Tocantins (39,6) e o Piauí (40,7), o estado com o pior índice no Brasil.

Na outra ponta está a região Sudeste. A área tem a taxa mais baixa de mortes no trânsito por 100 mil habitantes (18,3) e praticamente congelou o número de óbitos.

Em 2004 foram 14.276 ví timas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerias e Espírito Santo.

Dez anos depois, em 2014, o número passou para 15.603, aumento de apenas 9,2%.

O Nordeste, por exemplo, viu a taxa saltar 70,4% no mesmo período. No Nordeste, chamam a atenção os números das capitais.

Teresina (PI), por exemplo, teve 61,4 óbitos por 100 mil habitantes em 2014, contra apenas 11,1 na capital paulista, por exemplo. Já no Centro-Oeste os municípios mais problemáticos estão no interior.

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