76% das mulheres que denunciam violência doméstica são mães, aponta levantamento

Andreza Rossini


Com Aen

Ter a opinião desrespeitada, a privacidade no celular invadida ou ser seguida e vigiada também são formas de violência contra a mulher. Para dar visibilidade a essas agressões nem sempre percebidas, a Secretaria de Estado da Família e Desenvolvimento Social lança neste sábado (25) a campanha “Você pode mais!”.

Em 1999, a Organização das Nações Unidas instituiu 25 de novembro como o Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher.

A secretária estadual da Família, Fernanda Richa, lembra que muitas mulheres só buscam auxílio quando a situação já evoluiu para agressão física, mas a violência começa antes e nas pequenas e sutis atitudes. “Elevar a autoestima da mulher é fundamental para que ela identifique os abusos socialmente invisíveis e consiga mudar sua vida, sem medo, antes de ter sua integridade comprometida”, disse a secretária.

A campanha aborda direitos, autoestima e liberdade das mulheres, mostrando que pequenos gestos ou palavras podem se caracterizar como violência. “As depreciações e humilhações cotidianas, seja por a mulher emitir uma opinião ou mesmo pelas roupas que usa, minam a autoestima feminina. Essa situação já é de violência e pode evoluir para agressões mais sérias”, explicou Ana Cláudia Machado, coordenadora estadual da Política da Mulher, na Secretaria da Família.

Foto: Divulgação SEDS
Foto: Divulgação SEDS

Notificações

De acordo com levantamento feito pela Delegacia da Mulher de Curitiba, 47,16% das ocorrências registradas são de agressão física e 37,65% de agressões psicológicas e morais. “Sabemos que há subnotificação, ou por desconhecimento de direitos ou por medo da mulher em denunciar a violência. A campanha questiona essa cultura que silencia, desvaloriza a mulher e atinge todas as camadas sociais da sociedade, independente da condição financeira”, acrescenta Ana Cláudia.

Ainda de acordo com os dados da delegacia, em 76% das queixas as vítimas são mães, mas apenas 11% delas atribuem aos filhos o motivo para continuar com o agressor. As que responderam ter relação afetiva com o agressor somam 60% e 61% não dependem financeiramente dele.

Apesar de a maioria dos casos ter relação com o companheiro, a campanha não se limita ao contexto doméstico. As situações abordadas podem ocorrer em qualquer ambiente e em qualquer nível de relacionamento com o agressor.

Denúncias

Denúncias anônimas podem ser feitas pelo telefone 181. As informações são encaminhadas aos órgãos de proteção para tirar a mulher da situação de violência. Em casos extremos, deve-se ligar para o 190 e chamar a Polícia Militar, que irá intervir pontualmente na ocorrência.

Data

Em 25 de novembro de 1960, as irmãs Pátria, Minerva e Maria Teresa, as “Las Mariposas”, foram mortas a mando do ditador Rafael Leônidas Trujillo, da República Dominicana. As três combatiam o regime e seus corpos foram encontrados em um precipício, estrangulados, com os ossos quebrados. Em 1999, as irmãs foram homenageadas pela ONU ao darem origem ao Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher.

Previous ArticleNext Article