Não há registro de brasileiros entre as vítimas de ataque em Orlando

Mariana Ohde


O Itamaraty informou neste domingo (12) que não há notícias de brasileiros entre as vítimas do ataque à boate Pulse, em Orlando, estado da Flórida, nos Estados Unidos. Em nota, o órgão diz que o governo brasileiro recebeu com “profunda consternação e indignação a notícia do ataque à casa noturna”, que provocou a morte de 50 pessoas.

O Consulado Geral do Brasil em Miami está em contato com as autoridades locais e com a comunidade brasileira em Orlando. O Itamaraty repudiou o ato terrorista. “Ao transmitir sua solidariedade às famílias das vítimas, ao povo e ao governo norte-americanos, o governo brasileiro reafirma seu mais firme repúdio a todo e qualquer ato de terrorismo. Nenhuma motivação, nenhum argumento justifica o recurso a semelhante barbárie assassina”, diz a nota.

O ataque à boate Pulse, já é considerado um dos maiores massacres da história Estados Unidos, após os atentados de 11 de setembro de 2001, quando aviões se chocaram contra as Torres Gêmeas de Nova York. Além dos mortos, o atirador deixou 53 pessoas feridas na casa noturna, que é voltada para o público LGBT. O matador foi identificado pela polícia como Omar Mateen, de 29 anos, um norte americano filho de afegãos.

Homenagem

A Avenida Paulista, em São Paulo, foi palco de uma homenagem às vítimas. Com velas e faixas, diversas pessoas fizeram uma vigília pelos mortos do massacre em Orlando e lembraram também todas as vítimas de homofobia pelo mundo.

O ato, chamado de Vigília pelas Vítimas de LGBTfobia, foi convocado pelas redes sociais e começou por volta das 18h, ainda quando a avenida estava fechada para carros [aos domingos, a Avenida Paulista é aberta durante o dia apenas para pedestres e ciclistas]. Pouco depois, os manifestantes carregaram as velas e faixas para o vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp), onde o ato prosseguiu.

O estudante de psicologia Bruno Zaidan, 22 anos, militante do movimento Juntos LGBT, disse que o massacre em Orlando foi “claramente um ato LGBTfóbico. Ainda estão vendo a ligação com o Estado Islâmico, mas é claramente um ato LGBTfóbico, como vemos acontecer diariamente no Brasil, onde temos milhares de pessoas assassinadas por serem LGBT”. Zaidan criticou ainda a nota do Itamaraty sobre o massacre: “A nota diz que isso é simplesmente um caso de terrorismo quando, na verdade, é um caso que reflete também, além de quaisquer motivações terroristas que estejam envolvidas, toda cultura LGBTfóbica onde estamos inseridos”, disse.

Maju Giorgi, 50 anos, do movimento Mães pela Diversidade, diz que outras mães estão presentes também ao ato para dizer “que nossos filhos não vão ser estatística”. “Estamos super consternadas porque poderia ser um de nossos filhos”, disse ela à reportagem. “O Brasil é campeão mundial de assassinatos por violência homofóbica. A cada dia, no ano passado, 315 LGBTs foram mortos. Vamos nos emocionar por tudo, não só por um ato isolado e nos mobilizar por tudo porque aqui se matam quatro vezes mais, por ano, do que mataram ontem”, disse Maju.

Foto: Elaine Patricia Cruz/Agência Brasil
Foto: Elaine Patricia Cruz/Agência Brasil

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal