“Não houve estupro” dizem manifestantes no Rio de Janeiro

Andreza Rossini


Um grupo de aproximadamente 50 pessoas se reuniu para protestar na Praça Seca, Zona Oeste do Rio de Janeiro, contestando as acusações de estupro coletivo contra a adolescente de 16 anos.

A manifestação foi realizada em frente à favela onde o crime aconteceu e os participantes carregavam cartazes com frases como “Aqui não tem estuprador”, “Não houve 33”, “Não houve estupro” e “Nenhuma comunidade aceita estuprador”.

A delegada que assumiu o caso no último domingo (29), afirmou na segunda-feira (30) que não há dúvidas de que o crime aconteceu. “Minha convicção é que houve estupro”, disse, em entrevista coletiva, Cristiana Bento, delegada da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (DCAV).

O chefe da Polícia Civil do Rio, Fernando Veloso, também tem a mesma opinião. “As imagens retratadas no vídeo mostram mais de uma voz, fazem narrativa do estupro acontecido antes. Ele toca e manipula a jovem, que parece estar desacordada. Este ato é um estupro. Este estupro está evidenciado nas imagens. Se elas forem verdadeiras, e parecem verdadeiras, esse estupro está comprovado.”

Diz que o vídeo também traz a informação do estupro anterior, “mas não há prova material no vídeo”. “A fala dos retratados constitui um indício, assim como o depoimento da vítima. Não duvidamos do estupro anterior, mas não temos a mesma robustez das provas.”

O caso

Em depoimento à polícia, a menina afirmou que foi até a casa de um rapaz com quem se relacionava há três anos. Ela afirmou que se lembra de estar a sós com ele na casa de acordar em outra casa da mesma comunidade no dia seguinte, dopada e nua, onde haviam 33 homens armados com pistolas e fuzis.

Os familiares só souberam do estupro na quarta-feira (25), quando foram exibidos fotos e vídeos na internet da adolescente nua, desacordada e ferida. Os próprios agressores teriam compartilhado as imagens e um deles admite no vídeo: “uns trinta caras já passaram por aí”. A ouvidoria do Ministério Público recebeu mais de 800 denúncias sobre o caso.

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