“Não precisávamos estar aqui, eu nem precisava estar deputada”, desabafa Christiane Yared após pedido de desculpas de Carli Filho

Roger Pereira


Ao deixar o Tribunal d Júri na noite desta terça-feira, a deputada federal Christiane Yared, mãe de Gilmar Rafael, uma das vítimas do acidente de trânsito causado pelo ex-deputado Luiz Fernando Ribas Carli Filho, réu por duplo homicídio com dolo eventual, comentou o pedido de desculpas feito publicamente pelo ex-deputado durante seu depoimento. Para ela, não foi um pedido sincero, não demonstrou arrependimento e, muito menos, foi no momento adequado.

“Eu vi um pedido do tipo ‘desculpa, mãe, eu bati no carro do seu filho’. Não era momento de ele vir abraçar, pedir perdão, perdão por eu estar passando por isso, por eu estar vendo imagem da cabeça do meu filho degolada?”, comentou. “Estamos aqui atrás de Justiça, não de vingança. Eu não vi arrependimento”, acrescentou.

Para Yared, o pedido de desculpas veio com quase uma década de atraso. “Isso aqui não precisava estar acontecendo. Eu não estaria deputada federal, nós não estaríamos neste tribunal, se naquele mês, logo que ele saiu do hospital, me procurasse, pedir perdão, arrependimento. Não estaríamos aqui lutando para esclarecer o que aconteceu naquela noite”, lamentou.

O júri do ex-deputado Carli Filho, acusado de matar Gilmar Rafael Yared e Carlos Murilo de Almeida em acidente de trânsito na noite do dia 9 de maio de 2009, quando dirigia em alta velocidade, com a habilitação suspensa e sob efeito de álcool, foi interrompido pelo juiz Daniel de Avelar às 21h30 desta terça-feira, após os depoimentos de seis testemunhas e do réu.

Nesta quarta-feira, às 9h30, o julgamento será retomado com o debate entre acusação e defesa, para, depois, o júri se reunir e deliberar a sentença. “Em determinado momento eu achei que a gente poderia terminar hoje, ainda, mas consultei os jurados e percebi que eles estavam cansados. Se continuássemos, o debate poderia se estender e a gente podia ir até 3h da manhã, o que dificultaria o trabalho até de votação. Então os jurados vão a um hotel, estão incomunicáveis, e amanhã 9h30 retomamos: fala da acusação, fala da defesa, possivelmente uma pausa para almoço e, na parte da tarde, terminamos”, explicou o magistrado”.

Os sete jurados decidirão se Carli Filho é culpado ou inocente por duplo homicídio com dolo eventual ou se o crime do deputado não se qualifica como doloso, uma das teses sustentadas pela defesa. “Eles podem analisar a tese absolutória também. Se a tese da desclassificação como homicídio doloso for acatada pelos jurados, se encerra a competência do Tribunal do Júri. Há uma pequena discussão sobre a competência para fizar a pena. Eu entendo que como temos duas varas privativas para crimes de trânsito em Curitiba, eu encaminharia para lá pela tese do juiz natural, porque daí não haveria mais dolo, seria, no máximo homicídio culposo de trânsito”, explicou o juíz.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal