“Não tem condições de presidir o próprio país, imagina o Mercosul”, diz Serra sobre Venezuela

Narley Resende


Em visita a Foz do Iguaçu (PR), o ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP), voltou a criticar o protagonismo da Venezuela no Mercosul.  “O presidente da Venezuela não tem condições de presidir o próprio país, imagina o Mercosul”, disse, sobre o Mercosul e a possibilidade de a Venezuela ter o direito de presidir o bloco pelos próximos seis meses.

Serra foi enfático em dizer que isso não acontecerá, devido a Venezuela não ter cumprido os requisitos de país membro. Mesmo assim, garantiu que o país não será excluído do bloco, mas colocado como membro não pleno.

José Serra chegou a Foz do Iguaçu às 19h de sábado (6), para participar de um jantar com o diretor-geral das Nações Unidas (ONU), Ban Kin Moon, para falar sobre “problemas dos refugiados e imigrantes”. Serra disse que o o governo dos Estados Unidos já havia pedido a atenção do Brasil para o problema.

Paraguai

A prefeita de Foz do Iguaçu Ivone Barofaldi, que recepcionou o ministro, perguntou sobre a aprovação das Lojas Francas na fronteira. Serra respondeu que não gosta da ideia, mas que acha necessário devido a competição com as lojas instaladas nos países vizinhos.

Sobre a migração de indústrias brasileiras para o Paraguai, atraídas pelos baixos impostos, Serra disse à rádio “Cultura Foz” que essa é preocupação. “Não tenho nada contra o Paraguai, as empresas que vão pra lá fazem isso legalmente. O Brasil precisa tomar cuidado para não esvaziar os estados limítrofes e perder emprego”, disse.

Delação

José Serra esteve no Paraná no mesmo fim de semana em que o jornal Folha de S. Paulo publicou denúncia sobre pagamento de propina da Odebrecht a sua campanha presidencial em 2010. De acordo com a publicação, Serra recebeu R$ 23 milhões de Odebrecht de caixa dois, para a campanha, de acordo com depoimentos de executivos da empreiteira ao investigadores da Operação Lava Jato. Com a correção da inflação o valor chega a R$ 34,5 milhões.

Os funcionários tentam fechar um acordo de delação premiada e passaram as informações aos procuradores da força-tarefa. Parte do dinheiro foi entregue no Brasil e outra parte no exterior, ainda e acordo com os executivos.

A Odebrecht deve apresentar extratos bancários de depósitos para provar os pagamentos.

A negociação para doação da campanha teriam sido feita com líderes dos partidos e a empresa doou oficialmente R$ 2,4 milhões a campanha, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral.

Serra afirmou, por meio de nota enviada por sua assessoria de imprensa, que a campanha dele durante a disputa a Presidência da República em 2010 foi conduzida em acordo com a legislação eleitoral em vigor. O tucano disse também que as finanças de sua disputa pelo Palácio do Planalto eram de responsabilidade do partido, o PSDB.

Ainda em nota, José Serra reiterou que ninguém foi autorizado a falar em seu “A minha campanha foi conduzida na forma da lei e, no que diz respeito às finanças, era de responsabilidade do partido”, afirmou.

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