No dia do coração, um lembrete para o cuidado com a alimentação

Redação

Dia do Coração: cuidados na alimentação

Alimentação balanceada, atividades físicas e controle do peso. Quem nunca ouviu isso quando procurou informações sobre como cuidar da saúde cardíaca.  Mas com a pandemia, esses cuidados foram negligenciados. E se viu foi um aumento no número de mortes causadas por problemas no coração: 132% – de acordo com uma pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). E nesta quarta (29), Dia Mundial do Coração, especialistas reforçam: é preciso cuidar da alimentação como medida básica para a saúde cardíaca.

“Os estudos apontam mudanças benéficas na qualidade alimentar do brasileiro em alguns momentos na pandemia. Mas, em outros levantamentos, os dados são preocupantes”, reconhece a nutricionista e consultora da Jasmine Alimentos, Bruna Nogueira. O aspecto positivo na avaliação dela foi que, no período mais crítico da pandemia, as pessoas aproveitaram um tempo maior em casa para preparar suas refeições, fazendo escolhas saudáveis e equilibradas de alimentos. Também prestaram mais atenção aos rótulos, buscando incluir no dia a dia produtos, mesmo que industrializados, com ingredientes funcionais ou benéficos ao organismo. “O lado negativo foi que o uso de aplicativos de delivery de refeições e o consumo de doces, frituras, alimentos ultraprocessados e álcool também cresceram consideravelmente”, diz.

O cardiologista Paulo Negreiros, do Hospital Marcelino Champagnat, de Curitiba (PR), diz que esse comportamento equivocado de alimentar-se mal foi potencializado com o aumento do sedentarismo. “Infelizmente, com a pandemia, houve um crescimento expressivo do consumo de fast food e diminuição da prática dos exercícios físicos. Essa combinação é catastrófica para o coração”.

Alimentação na pandemia: cresceu o consumo de ultraprocessados

Dados do periódico científico Nutrients (da University of South Australia) e da NutriNet Brasil sobre comportamento na alimentação reforçam essa contradição. Pela amostra da NutriNet Brasil, vinculada à USP (Universidade de São Paulo), e que acompanha o comportamento alimentar dos brasileiros em todas as regiões, houve aumento de consumo de itens como frutas, hortaliças e feijão de 40,2% para 44,6% na pandemia. Contudo, o consumo de alimentos ultraprocessados passou de 77,9% – número que já é altíssimo na comparação com outros países – para 79,6%. Com outro recorte, o periódico Nutrients constatou aumento no consumo de frutas e hortaliças durante o distanciamento social por parte dos adolescentes em cinco países, inclusive o Brasil. Mas também identificou o crescimento da ingestão de doces e frituras entre os jovens.

De acordo com a nutricionista, um padrão alimentar saudável deve ser rico em vegetais, cereais integrais (como farelo de aveia, arroz integral, aveia em flocos, quinoa), azeite de oliva, sementes (linhaça, chia, semente de abóbora, por exemplo), leguminosas, frutas, peixes e castanhas (castanha-do-Brasil, amêndoas, nozes, pistache etc.). “Esses alimentos favorecem uma vida mais equilibrada e, ainda, atuam como cardioprotetores, já que são fontes de fibras, ômega-3, vitaminas, minerais e fitoativos, que são importantes nesse cuidado integrado”, esclarece.

Segundo Bruna, a combinação ideal seria a da chamada “dieta do Mediterrâneo”, à base de carnes magras (em destaque, a de peixe), e rica em frutas, verduras, legumes e grãos, evitando-se embutidos e industrializados. Os hábitos alimentares saudáveis e equilibrados podem atuar na prevenção e no tratamento dos eventos cardiovasculares, e, também, na redução de alguns fatores de risco associados ao desencadeamento das doenças cardiovasculares e crônicas, como: dislipidemias (redução dos níveis de HDL-c e/ou aumento dos níveis de colesterol total, LDL-c e/ou triglicerídeos no sangue), aumento da glicemia, inflamação e estresse oxidativo. “Um corpo bem nutrido é capaz de exercer o seu melhor potencial de saúde”, completa Paulo Negreiros.

O que tirar e o que incluir na lista de compras pensando na saúde do coração

Alimentos e produtos com alto teor de gorduras trans e saturadas, além de carboidratos simples, com alto índice glicêmico (com capacidade de gerar picos de glicemia) e ricos em aditivos artificiais, como embutidos, frituras, bebidas adoçadas, biscoitos recheados, farinhas refinadas, salgadinhos industrializados não saudáveis, carnes vermelhas, entre outros, impactam negativamente os níveis de glicemia, colesterol e triglicerídeos séricos.

Além de prejudicar a saúde do coração, eles podem levar ao ganho de peso, inflamação e estresse oxidativo, que também comprometem a performance física, reduzindo a vitalidade, a disposição e a qualidade de vida.

“Os fatores genéticos são os maiores preditivos das doenças do colesterol (dislipidemias), no entanto, uma dieta saudável é crucial para que se atinjam níveis aceitáveis de colesterol para prevenção de doenças cardiovasculares, apesar de os fatores genéticos de alguns poderem levar a níveis elevados de colesterol”, explica o cardiologista.

“Podemos dizer que a genética não é destino, isso porque o que irá determinar que um gene seja expressivo ou não, na maioria das vezes, é a interação do indivíduo com o ambiente e a nutrição”, acrescenta o especialista, que defende: “O trinômio ‘alimentação, exercício físico e saúde mental’ exercem maior influência do que o perfil genético e a idade isolados, além de reduzirem em 80% os riscos de doenças crônicas e cardiovasculares”.

De acordo com Bruna Nogueira, a indústria de alimentos saudáveis evoluiu muito e, atualmente, oferece produtos que substituem ingredientes refinados por opções integrais e menos processadas, como farinha de trigo integral, aveia, açúcar mascavo, açúcar demerara e mel. “A tecnologia tem ajudado no desenvolvimento de produtos altamente nutritivos, saborosos e com baixo ou nenhum risco à saúde. É possível encontrar nas prateleiras dos supermercados muitos produtos industrializados com alto poder nutritivo”, destaca.

Alimentação  “cardioprotetora”

Farelo de aveia – Apresenta uma excelente concentração de fibras solúveis, principalmente beta-glucanas, além de avenantramidas, compostos bioativos com efeito anti-inflamatório e antioxidante. O consumo frequente contribui com a redução do colesterol total e do LDL-c de forma significativa, de acordo com diversos estudos recentes;

Frutas vermelhas e roxas – Morango, açaí, cranberry, goji berry são algumas das frutas ricas em polifenóis, como as antocianinas, procianidinas, quercetina, ácidos fenólicos e polissacarídeos, além de fibras, que estão associadas à melhora dos níveis de colesterol, e favorecem a saúde cardiovascular.

Sementes de chia e de linhaça – Ambas são fontes de ômega-3 e de fibras solúveis e insolúveis, que trazem benefícios para a saúde do coração e redução do colesterol ruim.

Castanhas – Nozes, castanha-do-Brasil, pistache, amêndoa, avelã e outras sementes são ricas em selênio, zinco, magnésio e compostos bioativos, que atuam em diferentes mecanismos para contribuir com a saúde cardiovascular.

Cereais integrais (arroz integral, quinoa) – Têm boa concentração de fibras que irão beneficiar a saúde do coração, uma vez que auxiliam desde a diminuição dos níveis de colesterol até a redução da inflamação.

Azeite de oliva – É considerado um grande cardioprotetor, por favorecer a redução dos níveis de colesterol LDL e total, e por estimular o aumento do HDL-c.

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