Nova ameba do Rio Paraná é batizada em homenagem a Gandalf

Rosângela Gris, Metro Jornal Maringá Uma pesquisa realizada no Rio Paraná, Noroeste do Paraná, descobriu a existê..

Redação - 21 de março de 2017, 09:04

Rosângela Gris, Metro Jornal Maringá

Uma pesquisa realizada no Rio Paraná, Noroeste do Paraná, descobriu a existência de um novo micro-organismo. A ameba foi batizada de Gandalf, em referência ao personagem da trilogia “O Senhor dos Anéis”, do escritor inglês J.R.R. Tolkien, devido a sua habilidade de construir uma carapaça para se proteger, bem parecida com o chapéu pontiagudo do bruxo.

O achado dos pesquisadores da Universidade Estadual de Maringá consta nas páginas do periódico científico Acta Protozoologica, publicado no início de 2017.

“Encontrei a espécie enquanto fazia pesquisas para a universidade no Rio Paraná no ano de 2012. Nunca tinha visto nada igual. Assim que descobri, fiz a análise óptica do micro-organismo e revisei toda a literatura científica atrás de algo parecido”, relata o biólogo Carlos Eduardo Aguiar Soares, mestre em Ecologia e Ecossistemas Aquáticos pela UEM e um dos responsáveis pelo achado no Rio Paraná, no trecho entre a Usina Hidrelétrica de Porto Primavera e a Usina Hidrelétrica de Itaipu. Rica em biodiversidade, a região é considerada área prioritária de conservação pela Unesco.

Soares enviou uma amostra do micro-organismo para Daniel Lahr, professor do Departamento de Zoologia do IB-USP, que trabalha com taxonomia, nome dado ao processo de descrição de novos organismos. Após um período de pesquisa, a nova criatura foi descrita e incluída na lista de espécies catalogadas pelo ser humano.

Mundo ameba

A Gandalf faz parte do gênero Arcella, um dos maiores grupos de tecamebas. Em todo o planeta, são entre 30 e 40 linhagens.

O diferencial da Gandalf é a forma de funil até então desconhecida na ciência. Com 81 micrômetros de diâ- metro e 71 micrômetros de altura, sua cor varia de amarelo claro e marrom. Ela se concentra apenas aqui pelas bandas do Hemisfério Sul.

Homenagem

Além da referência a um nú- cleo de pesquisa da UEM (Universidade Estadual de Maringá), Nupelia agora também é o nome de uma espé- cie de Ostracoda – crustáceo com comprimento que varia de 0,4mm a 4mm – encontrado em sedimentos e plantas aquáticas do Rio Paraná.

“É comum que o grupo ou a pessoa que descobriu uma nova espécie seja homenageada na hora em que especialistas dão nomes à nova criatura”, diz o pesquisador Luiz Felipe Machado Velho.

Ele próprio foi homenageado por ter descoberto novas criaturas nas profundezas do Rio Paraná. Outra espécie de Ostracoda, descoberta pelo pesquisador também no Rio Paraná, recebeu o nome de Velho.