‘O Filho Eterno’ estreia hoje nos cinemas de todo o Brasil

Sempre que fala do lançamento do livro ‘O Filho Eterno’, de 2007, Cristovão Tezza menciona a surpresa pela obra ter sido..

Narley Resende - 01 de dezembro de 2016, 10:30

Sempre que fala do lançamento do livro ‘O Filho Eterno’, de 2007, Cristovão Tezza menciona a surpresa pela obra ter sido um sucesso, reconhecido em premiações como da APCA e Jabuti. “‘O Filho Eterno’ foi a maior surpresa da minha vida. Quando lancei achei que seria um fracasso total”, comentou o escritor, que mora em Curitiba, ao Metro Jornal.

Nove anos depois de publicada, a história autobiográfica que narra a relação do próprio escritor com seu filho, que tem Síndrome de Down, continua uma referência e ganha as telas do cinema, em adaptação que estreia hoje.

Dirigido por Paulo Machline, de ‘Natimorto’ (2009), ‘O Filho Eterno’ se passa nos anos 1980, época ainda nebulosa em relação a informações sobre crianças com Síndrome de Down.

O personagem de Marcos Veras, Roberto, um escritor em início de carreira, vê sua vida profissional e conjugal ao lado da jornalista Cláudia (Débora Falabella) virar um verdadeiro caos enquanto seu filho Fabrício (Pedro Vinicius) cresce. Com leveza e sem apelar para melodramas, a trama emociona por tratar uma questão universal: a relação paternal.

Para Tezza, que não participou da produção do filme e nem da construção de seu roteiro, a película tem um toque sentimental forte que não existe no livro, mas que foi muito bem trabalhado na adaptação.

“Nunca é piegas. E este é um dos grandes méritos do filme. E a gente lembra que o sentimental faz parte da estética do cinema. Já na literatura ele tem que ser muito sutil para ficar bom”, comentou o escritor, autor de mais de 20 obras.

A diferença de linguagem entre a literatura e o cinema foi justamente o que manteve Tezza longe da adaptação de ‘O Filho Eterno’, ele conta. “Eu respeito a autonomia da produção. E já assisti ao filme duas vezes, gostei muito. Tem ótimas soluções, já que em vá- rias partes o filme faz uma releitura da obra”, explicou o escritor.

Cláudia. “A mãe foi uma criação do roteiro. E ela ser interpretada por Débora Falabella preenche a falta de profundidade que a personagem acaba tendo”, acrescentou Tezza, logo depois de elogiar a interpretação de Marcos. “Veras foi extremamente convincente”.

Frisando as ótimas soluções que a adaptação cinematográfica conseguiu fazer, Tezza cita a diferença de intensidade em que o tema do futebol é explorado entre as duas obras. “No livro, a temática do futebol foi o gancho da socialização do filho e da aproximação entre ele e o pai. A produção traz isto com uma moldura narrativa”, explica o escritor.

Segundo ele, nos cinemas, o ‘O Filho Eterno’ fez uma opção mais suave enquanto em relação à obra literária. “O livro é muito pesado”, acrescentou.

Um dos meninos que faz o papel principal é de Curitiba. Ele se chama Pedro Vinícius e tem 9 anos.