Operação Daemon: bens apreendidos serão leiloados para ressarcir prejuízo de clientes

Mirian Villa

Operação Daemon: bens apreendidos serão leiloados para ressarcir prejuízos de clientes

Pelo menos sete carros, joias, relógios e bolsas de luxo serão leiloados para ressarcir o prejuízo de clientes de uma empresa suspeita de desviar bilhões em negociações com criptomoedas em 2019. Os bens foram apreendidos na manhã desta segunda-feira (5), durante a Operação Daemon, deflagrada pela PF (Polícia Federal).

Segundo estimativa feita pelo administrador judicial, o valor devido pelo grupo econômico totaliza cerca de R$1,5 bilhão, o que diz respeito a mais de sete mil credores. Segundo à polícia, o objetivo da ação é rastreamento e recuperação patrimonial.

O líder do grupo criminoso, sua companheira, um diretor, a esposa do cargo de confiança e outro envolvido no esquema podem responder pela prática de crimes falimentares, de estelionato, lavagem de capitais, organização criminosa, além de delitos contra a economia popular e o sistema financeiro nacional.

EMPRESA CRIOU FERRAMENTA QUE MANIPULAVA TRANSAÇÕES

De acordo com o delegado responsável pela Operação Daemon, Filipe Hille Pace, a empresa suspeita de desviar bilhões em negociações com criptomoedas de clientes criou uma ferramenta que manipulava transações, fazendo o credor acreditar que estava ganhando dinheiro, mas na verdade o valor era desviado para a compra de itens de luxo.

“O grupo tinha três corretoras e as pessoas, por meio desse instrumento criado, faziam transferências da moeda entre as corretoras. Assim, os clientes acreditavam ganhar  dinheiro e realmente ter aquele saldo. Porém, aquele valor era desviado conforme os responsáveis desejavam. Existia uma aparência de legalidade, mas era um instrumento que o grupo manipulava”, explicou Pace.

Além disso, outro artifício usado pelo grupo era limite de saque diário, acredita-se que era de R$ 30 mil a R$ 50 mil reais por dia. “A partir do momento que o cliente depositava dinheiro, ele entrava em um bolo que era administrado para fins ilícitos (…) como a operação feita entre as três corretoras garantia lucros diários, os clientes pensavam ‘por que vou tirar o valor da plataforma se ele é rentável?’. O cliente acreditava que os valores que estavam ali e pertenciam a ela, mas ele não correspondia a realidade”, argumentou o delegado.

Quando os credores consultavam as plataformas virtuais das corretoras, eles acompanhavam uma suposta posição de seus investimentos que, desde o momento em que ingressavam nas contas das empresas, eram empregados de maneira indevida para o enriquecimento dos gestores.

Desta forma, os clientes acreditavam que estavam realizando operações nas corretoras e obtendo lucros diários e garantidos, suspeitando das irregularidades somente em 2019, após o bloqueio dos saques.

O líder do grupo já havia sido condenado na Suíça pelos crimes de estelionato e falsificação de documentos. Para a PF, trata-se de um individuo altamente ardiloso. “Ele foi para os EUA onde lesou pessoas e de lá saiu irregularmente para retornar ao Brasil.”

Com os materiais apreendidos hoje, à polícia acredita que o grupo tenha relação com uma empresa de São Paulo que percorreu o mesmo caminho e que faliu recentemente. “Verificou-se que o principal investigado teria também um relacionamento próximo com o líder da empresa de São Paulo.”

A investigação policial recebeu o nome de Operação Daemon por se referir, no âmbito da mitologia grega, a um ser sobrenatural trabalhando em plano de fundo, e no âmbito da computação, a um programa que executa um processo em plano de fundo que não está sob controle direito do usuário interativo.

Divulgação/PF
Grupo suspeito de desviar R$ 1,5 bilhão em negociações com criptomoedas é alvo da PF
Divulgação/PF

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