Operações da PF miraram polêmicas dos governos PT em 2016

Com Rafael Neves | Metro Jornal CuritibaMuito se falou em 2016 sobre a Lava Jato e seus desmembramentos, operações deriv..

Redação - 29 de dezembro de 2016, 11:04

Com Rafael Neves | Metro Jornal Curitiba

Muito se falou em 2016 sobre a Lava Jato e seus desmembramentos, operações derivadas de provas ou delações obtidas na investigação sobre a Petrobras. Mas o ano do impeachment de Dilma Rousseff também ficou marcado por ações da Polícia Federal (PF) contra polêmicas da administração petista ou símbolos de vínculo ao partido. A maioria delas deixou no ar a promessa de que pode se aprofundar mais no ano que vem.

Uma das anunciadas com mais barulho foi a operação Greenfield, que levou para depor, em setembro, empresários como os presidentes do grupo JBS – dono da Friboi –, da Gradiente e das construtoras OAS e WTorre. A PF investiga fraudes em quatro fundos de pensão: Petros (da Petrobras), Funcef (Caixa), Previ (Banco do Brasil) e Postalis (Correios). Esta primeira etapa se dedicou apenas a tomar depoimentos e apreender documentos, o que sugere novas fases da Greenfield em 2017.

Dinheiro, carros e obras de arte – o balanço da Greenfield

Outra instituição que entrou na mira da PF foi o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A operação Janus, no final de maio, indicou que o ex-presidente Lula teria ajudado a Odebrecht em negócios em Angola, e a empreiteira, em troca, fez repasses suspeitos a Taiguara dos Santos, sobrinho da ex-mulher de Lula, já morta. A Janus se transformaria em uma ação penal em outubro, e hoje é um dos cinco processos em que Lula é réu.

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Tanto os fundos de pensão quanto o BNDES foram alvo de críticas de economistas entre o fim do governo Lula e o início do mandato de Dilma.

Dos fundos, que manejam recursos de aposentadorias dos funcionários das estatais, questionaram-se investimentos bilionários, com seus respectivos seus riscos e retornos, feitos pelas entidades. Já no caso do BNDES, se criticou a política de “campeões nacionais”: priorizar aportes financeiros em empresas gigantes selecionadas pelo governo.


Desvios na Cultura

Uma das operações mais comentadas do ano foi a “Boca Livre”, que revelou pessoas e empresas que usavam recursos captados pela Lei Rouanet – criado não na Era PT, e sim na de Fernando Collor – para ganhos particulares.

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Na primeira fase da operação, em junho, um casamento de luxo em Florianópolis bancado com dinheiro da lei de incentivo chamou a atenção para a operação. Em outubro, a segunda fase expandiu a investigação para 29 empresas, como Arno, Volvo, Perdigão, Volkswagen e Bradesco, e apontou indícios de desvios de até R$ 25 milhões.


Terrorismo

A 15 dias dos Jogos Olímpicos, o ministro da Justiça Alexandre de Moraes anunciou prisão de 10 pessoas – depois seriam detidas mais duas – por um aparente planejamento, via grupos de WhatsApp, de atos terroristas no Rio de Janeiro.

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Os Jogos não tiveram nenhum incidente do tipo. Em setembro, oito se tornaram réus na Justiça Federal do Paraná. Valdir pereira da Rocha, de 36 anos – um dos que não eram réus – foi espancado e morto na penitenciária de Várzea Grande (MT).


Sem Terra

Outra ação polêmica foi deflagrada em 5 de novembro, quando 14 membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) foram presos por ocuparem uma fazenda vizinha a terras da madeireira Araupel, no Paraná. O MST e a empresa têm um conflito agrário por décadas na região

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