Pacote pró-corrupção chega ao Congresso, alerta procurador da Lava Jato

Roger Pereira


O procurador da República Diogo Castor de Mattos, um dos integrantes da força-tarefa da Operação Lava Jato, alerta que projetos em trâmite no Congresso Nacional abrem brechas para a prática da corrupção. Entre eles estaria o PL 45772016, do deputado federal Wadih Damous (PT), que visa abrir uma brecha para que condenados escapem da execução provisória da pena, e o PL 4372/2016, também do petista, que quer impedir a colaboração premiada de pessoas presas, são “oportunistas e visam dar espaço à impunidade”.

“Os principais afetados pela Lava Jato são os parlamentares investigados e os advogados criminalistas que defendem os réus”, afirmou o procurador em entrevista ao portal Jota.

E completou: “quanto mais as investigações avançarem, mais medidas devem aparecer. Tem que estar atento ao Congresso e às medidas que vão na contramão dos dois milhões de assinaturas que Ministério Público Federal coletou para o pacote de 10 medidas anticorrupção. Essas proposições fazem o pacote pró-corrupção dos congressistas, paralelamente. Há medidas que são exatamente o contrário das propostas do MPF”, afirmou.

Ele criticou também o Regime especial de regularização cambial e tributária (RERCT), sancionado pela presidente Dilma Rousseff (PT) em janeiro deste ano. “É o início de um pacote de medidas contra a investigação de crimes econômicos e financeiros”, declara.

“Como um recurso escondido no exterior tem origem lícita? Pelo menos um crime financeiro vai ter, como uma evasão de divisas. Ilícito não vai ser lícito. Se o MPF constatar origem espúria, vai tomar providências”, adianta.

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Roger Pereira
Repórter do Paraná Portal