Palocci e JBS são alvo da Operação Bullish por fraudes no BNDES

Narley Resende


Preso na Superintendência da Polícia Federal em Curitiba pela Operação Lava Jato, o ex-ministro dos governos Lula e Dilma, Antonio Palocci, é alvo de nova frente de investigação. A PF deflagrou na manhã desta sexta-feira (12) a Operação Bullish, que investiga fraudes em aportes concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), à JBS, uma das maiores empresas do ramo de proteína animal do mundo, e dona da marca Friboi.

De acordo com  a PF, os aportes através da subsidiária BNDESPar, realizados a partir de junho de 2007, tinham como objetivo a aquisição de empresas também do ramo de frigoríficos no valor total de R$ 8,1 bilhões.

Realizadas após a contratação da empresa de consultoria Projeto, ligada a Palocci, que era parlamentar à época, as operações de desembolso dos recursos públicos tiveram tramitação recorde, segundo a PF.

Além disso, essas transações foram executadas sem a exigência de garantias e com a dispensa indevida de prêmio contratualmente previsto, gerando um prejuízo de aproximadamente R$ 1,2 bilhão aos cofres públicos.

Defesa

Procurado pela reportagem, o advogado criminalista José Roberto Batochio, que defende Palocci em processos da Lava Jato, deve se posicionar quando tiver mais informações sobre a nova frente de investigação.

Em nota, a JBS afirma que obedece regras de mercado e nega que tenha havido “favor”. “Todo o investimento do BNDES na Companhia foi feito por meio da BNDESPar, seu braço de participações, obedecendo a regras de mercado e dentro de todas as formalidades. Esses investimentos ocorreram sob o crivo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e em consonância com a legislação vigente. Não houve favor algum à empresa”.

Em novembro do ano passado, um Relatório da Receita Federal anexado aos autos da Operação Omertà, 35ª fase da Lava Jato, apontou que a empresa de consultoria de Palocci havia recebido R$ 81,3 milhões de 47 clientes.

Citada, a JBS, confirmou na época que contratou a consultoria Projeto em 2009 para apoio na tomada de decisão na aquisição da Pilgrim’s Pride, dos Estados Unidos.

“Os serviços foram prestados, com ampla oferta de análises e informações de cenários macroeconômicos, do mercado mundial de frango e de proteína, além de detalhado estudo sobre a empresa americana. O trabalho se mostrou fundamental para a aquisição ocorrida em setembro daquele ano, e a decisão se comprovou altamente acertada, gerando valor para os acionistas e para a empresa. O contrato e os pagamentos foram devidamente documentados”, informou a empresa. A reportagem procurou a empresa na manhã desta sexta e aguarda posicionamento.

Operação Bullish

São cumpridos nesta sexta-feira 37 mandados de condução coercitiva, sendo 30 no Rio de Janeiro e sete em São Paulo, e 20 de mandados de busca e apreensão (14 no RJ e seis em SP), além de medidas de indisponibilidade de bens de pessoas físicas e jurídicas que participam direta ou indiretamente da composição acionária do grupo empresarial investigado, até o limite do prejuízo gerado ao erário.

Os controladores do grupo estão proibidos, ainda em razão da decisão judicial, de promover qualquer alteração societária na empresa investigada e de se ausentar do país sem autorização judicial prévia. A Polícia Federal monitora 5 dos investigados que se encontram em viagem ao exterior.

Segundo a PF, o nome da operação é relacionado à “tendência de valorização gerada entre os operadores do mercado financeiro em relação aos papéis da empresa, para a qual os aportes da subsidiária BNDESPar foram imprescindíveis”.

O termo inglês Bullish (que deriva da palavra Bull [touro], animal que ataca de baixo para cima) é utilizado para designar uma tendência de valorização dos preços num determinado mercado financeiro. Na Bolsa de Valores, diz-se que o mercado está bullish (o chamado bull market) quando as cotações da generalidade das ações estão em crescimento.

Nota da JBS:

“A JBS informa que sempre pautou o seu relacionamento com bancos públicos e privados de maneira profissional e transparente. Todo o investimento do BNDES na Companhia foi feito por meio da BNDESPar, seu braço de participações, obedecendo a regras de mercado e dentro de todas as formalidades. Esses investimentos ocorreram sob o crivo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e em consonância com a legislação vigente. Não houve favor algum à empresa. Todos os atos societários advindos dos investimentos da BNDESPar foram praticados de acordo com a legislação do mercado de capitais brasileiro, são públicos e estão disponíveis no site da CVM e no site de relações com investidores da JBS.”
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