Paraná resiste a implantar proposta de ensino médio

Lenise Klenk, BandNews FM CuritibaO Estado do Paraná pretende levar ao Congresso Nacional algumas propostas de modificaç..

Narley Resende - 05 de outubro de 2016, 10:26

Lenise Klenk, BandNews FM Curitiba

O Estado do Paraná pretende levar ao Congresso Nacional algumas propostas de modificação da Medida Provisória 746/2016, que altera regras curriculares e de funcionamento do ensino médio. Em coletiva de imprensa nesta terça-feira (4), a secretária da Educação, professora Ana Seres, adiantou que o estado vai aderir gradativamente ao projeto de ensino médio integral.

Por enquanto, um edital do Ministério da Educação oferece vagas para 30 escolas do do Paraná. Mas a Secretaria de Estado da Educação resiste a implantar o modelo de ensino por ênfases proposto pelo governo federal, especialmente no caso de cidades de menor porte.

A Medida Provisória prevê que metade da carga horária do Ensino Médio seja dedicada às 13 disciplinas previstas base nacional comum da Educação: língua portuguesa, matemática, biologia, física, química, filosofia, inglês, geografia, história, sociologia, educação física, educação artística e literatura. Na outra parte da carga horária, o estudante optaria por se aprofundar em uma de cinco ênfases: Linguagens, Ciências da Natureza, Ciências Humanas, Matemática e Formação técnica e profissional.

Condições

A secretária Ana Seres diz que a proposta de ênfases precisa ser discutida com a comunidade escolar. Segundo ela, não há estrutura nem demanda em algumas escolas para implantar as cinco ênfases.

"Se a proposta respeita a vocação dos alunos, que eles podem escolher uma das cinco trajetórias, o correto seria ofertar as cinco. E muitas vezes nós não teremos condições de ofertar as cinco por várias questões: demanda, a procura pela ênfase; profissionais para atuar nas ênfases; e também a infraestrutura. Para nós ainda não está claro a questão de como implantar as ênfases, teremos que discutir muito ainda para que atenda a real necessidade daquela comunidade escolar", diz.

Ana Seres diz que o Paraná vai incentivar escolas a concorrer às vagas do edital do ensino integral e, por enquanto, vai manter os modelos de ênfases já existentes no estado, o que é o caso das escolas de formação técnica.

"Nós vamos aceitar a proposta de implantação da educação integral. No máximo 30 escolas. Com relação ao restante, onde nós já temos educação profissional, cursos técnicos, vamos continuar. Os colégios agrícolas que já estão com proposta de educação integral, e técnica, também irão continuar. Os colégios, que eventualmente após a aprovação da MP quiserem trabalhar com as cinco ênfases e têm condições, e isso só vejo em centros maiores, nós podemos colocar alguns projetos pilotos. Nós não vamos implantar isso na totalidade", aponta.

Para a secretária, uma proposta alternativa à apresentada pelo MEC seria oferecer, gradualmente, um menor número de ênfases.

"Eu acho que poderíamos ofertar três ênfases. Continuar com a ênfase da formação técnica e profissional, que o Estado do Paraná é pioneiro nisso, e fazer uma junção entre as outras ênfases. Uma ideia, talvez. Linguagem com ciências humanas, matemática com ciências da natureza. Aí se tornaria mais fácil a aplicabilidade das ênfases. Cinco eu acho muito difícil", pontua.

Infraestrutura

O Paraná tem hoje 400 colégios estaduais com Ensino Médio. Desses, três têm projeto piloto de horário integral – em Londrina, Cantagalo e Cascavel. As unidades que forem selecionadas pelo edital, até o limite de 30, vão receber um incentivo financeiro de R$ 2 mil por aluno. Mas para aderir à proposta, é preciso preencher alguns critérios. Um deles é a aceitação da comunidade escolar. Também é necessário que a escola tenha infraestrutura e proposta pedagógica para adotar o ensino integral.

O Estado também precisa cumprir alguns requisitos como condições salariais para professores. Para discutir as propostas da medida provisória, as 32 regionais de Educação do Paraná vão promover reuniões no dia 13 de outubro. Elas devem envolver pais, estudantes, grêmios estudantis, professores, diretores, pedagogos e técnicos da Secretaria. As propostas colhidas devem ser encaminhadas para a comissão mista que analisa a medida provisória. Depois, a proposta segue para os Plenários da Câmara e do Senado.