Paraná é o terceiro que mais derrubou Mata Atlântica

CBN Curitiba

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Dia 05 de junho é o Dia Mundial do Meio Ambiente. Mas será que temos o que comemorar? Aqui no Paraná, os dados do desmatamento seguem em alta.

De acordo com um relatório da Fundação SOS Mata Atlântica, divulgado no final do mês passado, o estado foi o terceiro que mais desmatou entre 2018 e 2019. A maior área abatida foi em Minas Gerais, com 4.972 hectares destruídos, seguido da Bahia, com 3.532; depois o Paraná (2.767).

Os dados apontam um crescimento de 27% no desmatamento das áreas de Mata Atlântica do Brasil entre 2018 e 2019. Para a ambientalista Natalie Unterstell, o Dia Mundial do Meio ambiente deve sim ser celebrado, mas também é uma data necessária para a reflexão sólida e consciente sobre o que está acontecendo.

O Paraná vive uma seca histórica nos últimos meses, algo que provavelmente está ligado à perda de florestas e de mata atlântica, segundo a ambientalista. “O terceiro lugar no desmatamento é um ranking que não nos orgulha”, diz.

O desmatamento que ocorre em outros lugares do país também afeta o ciclo de transporte de umidade do norte para o sul, por exemplo. Sobretudo neste momento de pandemia, o Dia Mundial do Meio Ambiente é um momento para olharmos para a política geral do país, e não somente das secretarias ou órgãos específicos.

“Em desmatamento, não estamos falando apenas do corte de árvores, é preciso entender que falamos de áreas inteiras que desaparecem”, alerta Natalie.

Segundo ela, no Paraná o desmatamento está ligado à extração do carvão vegetal como fonte de energia. No entanto, o estado tem outros recursos – hídricos, solares e até mesmo eólicos – que podem ser utilizados para o mesmo fim.

“É uma perda de um patrimônio natural por uma fonte de energia que é do passado. Estamos gastando a nossa poupança do futuro com uma coisa que não precisa mais”, afirma a ambientalista.

Quanto à fiscalização dessas áreas, Natalie avalia que está ligada à tecnologia e dados de imagem. Para que a fiscalização seja efetiva, é necessário que se tenha pessoas responsáveis de ir à campo e realizar a checagem. “É nisso que a gente está pecando, apesar da cooperação dos orgãos fiscalizadores em geral. Mas faltam braços, faltam pernas. Isso tem bastante a ver com uma postura e atitude básica do governo federal”, critica.

A ambientalista critica o governo federal e declara que este tem se colocado contra a fiscalização, sendo abertamente contrário à que a lei seja cumprida. “Há até um certo incentivo para quem faz a coisa errada. Isso é muito ruim porque se a gente deixa de incentivar quem faz a coisa certa, estamos passando a mão na cabeça de quem faz a coisa errada. Quem paga o pato no final somos todos nós”, avalia.

Natalie expõe ainda que, no dia 4 de junho, parceiros comerciais do Brasil deram sinal de que não pretendem ratificar o acordo entre União Européia e Mercosul, por estarem desconfiados de que não existe credibilidade na atuação brasileira de combate ao desmatamento.

“Isso é muito grave. Imagine todos nós perdermos uma oportunidade de estabelecer comércio com um grande bloco pela falta de se colocar em prática o que diz a lei”, desabafa.

Nesta quinta-feira (4), o Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, revogou o despacho assinado por ele e que poderia anular infrações ambientais e anistiar desmatadores da mata atlântica. Apesar disso, os ambientalistas apontam para uma tentativa de flexibilização para quem pratica os desmatamentos.

Segundo Natalie, esse não foi um recuo completo, já que o ministro Salles encaminhou um pedido ao STF (Supremo Tribunal Federal), como tentativa de enfraquecimento e até anulação da lei nacional da Mata Atlântica.

“Infelizmente os relatos são de que isso veio do Paraná, de um segmento da agricultura, não acredito que seja o segmento todo, nós temos uma agricultura de vanguarda no nosso estado. Mas está havendo sim uma pressão para o retrocesso”, afirma.

O Paraná possui uma riqueza natural expressiva em parques e também em patrimônios privados. Para Natalie, não só os ambientalistas querem manter o “status verde” do estado, mas existem muitas pessoas que colaboram para isso, cientes de que poupar a natureza gera outros ganhos. “É até mesmo uma questão de identidade, eu não consigo imaginar um Paraná sem araucária”, comenta.

Além disso, a ambientalista também considera que existe uma relação entre meio ambiente e clima, algo que os cientistas reconhecem: a conservação de áreas verdes e naturais na cidade são uma medida de adaptação aos impactos ambientais que a humanidade sofre.

“É termos capacidade de respirar, ter um ar condicionado natural que são as florestar, vai nos poupar desconfortos técnicos e chuvas torrenciais” exemplifica. O saneamento também é uma medida ambiental importante, e o Paraná é uma boa referência nisso. Para Natalie, é necessário avançar essa medida de proteção. “A gente tem visto agora na pandemia, os dados mostram que as cidades que tem melhor sistema de saneamento são as que tem os menores casos de contaminação por coronavírus”, conclui.

 

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