Coronavírus: clima de medo diz paranaense sobre epidemia na Itália

"O número de casos aqui não é tão grande como em Milão, porém, as ruas estão vazias. É como se fosse um eterno domingo c..

Mirian Villa - 11 de março de 2020, 11:41

Divulgação/Gov.cn
Divulgação/Gov.cn

"O número de casos aqui não é tão grande como em Milão, porém, as ruas estão vazias. É como se fosse um eterno domingo cedo. Um clima de medo mesmo", contou a paranaense Larissa Zanon,  sobre a epidemia de coronavírus que atinge Itália. Nesta semana, o governo ampliou as medidas de restrição, já que o país tem o maior número de casos registrados do Covid-19 fora da Ásia.

A jornalista, que mora em Torino, no norte do país, há pouco menos de um ano, contou que faz três semanas que não em aula. Além disso, o clima é de tensão em todos os locais por onde passa. "Tem policiais em todas as entradas da cidade e todos os carros são parados. Você tem que apresentar uma declaração de que a viagem é por algum motivo. Estamos proibidos de fazer viagens por lazer. Minha vida mudou muito, mas eu entendo que se não fizer isso, não tem como conter a proliferação do vírus."

PARANAENSE DIZ QUE ITÁLIA ESTÁ DESERTA APÓS EPIDEMIA DE CORONAVÍRUS

A maior aglomeração de pessoas -que nem é tão grande assim- acontece nos mercados e em farmácias. Os poucos comércios que abrem, fecham no máximo às 18h. A jornalista conta que depois desse horário, é como se andasse no deserto.

"Você precisa fazer fila do lado de fora dos mercados e a entrada no estabelecimento é controlada. Além disso, você precisa ficar a um metro de distância da outra pessoa. E nas farmácias, todo mundo entra em busca de máscaras e álcool em gel, mas são produtos que estão em falta. Escolas, museus, igrejas e até grandes lojas estão fechadas. Os funcionários receberam "férias" e devem ficar em casa."

Um carro de som passa pelas ruas da cidade alertando pela quarentena e quem for pego, sem justificativa, paga multa e pode ser preso. Uma das medidas repassadas pelo governo local para a população é que todo mundo terá contato com o vírus em algum momento. "O que eles não querem é que todos fiquem doentes juntos, porque não existe leitos nos hospitais para tantos doentes."

Depois de ir ao mercado, a primeira coisa que Larissa faz ao retornar para casa é levar as mãos. Como o álcool em gel está em falta, a jornalista sempre sai de luvas. "Procuro ficar longe das pessoas...a gente não sai e nem recebe ninguém em casa."

No dia 25 de fevereiro, Larissa postou gravou um vídeo em sua rede social contando sobre a situação na cidade. Na época, a quarentena ainda não estava em vigor.

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Cresce o número de mortos na Itália, o país ocupa o quarto lugar em contaminação! Nos mercados já falta comida Imagens: @leofuga youtube

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QUARENTENA NA ITÁLIA: VEJA QUAIS MEDIDAS O GOVERNO TOMOU

As medidas de restrição foram ampliadas na segunda-feira (9) e seguem em vigor em toda a Itália até o dia três de abril. Veja abaixo as precauções adotadas!

  • suspensão de eventos esportivos;
  • fechamento de escolas e faculdades;
  • fechamento de bares e restaurantes até 18h;
  • proibição de reuniões públicas, inclusive religiosas como funerais e casamentos;
  • limitação de visitas em hospitais e outras unidades de saúde;
  • circulação de pessoas entre cidades fica restrita a motivos de trabalho ou saúde;

O QUE É CORONAVÍRUS E QUAIS OS SINTOMAS

Coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias. O novo agente do coronavírus (COVID-19) foi descoberto no dia 31 de dezembro de 2019 após casos registrados na China.

Os principais sintomas são: febre, tosse e dificuldade para respirar. Ou seja, a doença é semelhante a um resfriado. Contudo, o vírus pode gerar doenças respiratórias mais graves como pneumonia, SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave) e MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio).