Pesquisa desenvolvida no Paraná pode melhorar o tratamento do câncer de mama

Com Agência Estadual de NotíciasUma pesquisa desenvolvida no Paraná busca desenvolver um teste inédito no Brasil para au..

Mariana Ohde - 14 de outubro de 2016, 09:37

Com Agência Estadual de Notícias

Uma pesquisa desenvolvida no Paraná busca desenvolver um teste inédito no Brasil para aumentar a eficiência do tratamento de câncer de mama. O teste detectará a presença da enzima CYP2D6 no organismo das pacientes - substância essencial para que um dos principais medicamentos contra a doença faça efeito.

Os primeiros resultados devem ser conhecidos já em 2017. A pesquisa é fruto da parceria entre o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), o Hospital Erasto Gaertner e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR).

Tratamento do câncer

Atualmente, segundo o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), 57 mil novos casos de câncer de mama são diagnosticados no Brasil a cada ano. A maioria das vítimas é composta por mulheres, sendo que 70% da incidência do câncer de mama feminino está relacionado a tumores do tipo hormonal.

Esses casos são tratados durante cinco anos com o Tamoxifeno, medicamento que diminui a reincidência do câncer e aumenta a sobrevida da paciente, explica o médico oncogeneticista do Hospital Erasto Gaertner e professor de Medicina da PUCPR, José Claudio Casali.

O medicamento é considerado uma pré-droga, porque precisa entrar em contato com o metabolismo da paciente para gerar o efeito desejado.

No caso específico do Tamoxifeno, esse efeito é realizado com enzimas naturais do organismo humano. Entretanto, no Brasil, 10% das mulheres não têm a enzima CYP2D6, necessária para gerar o efeito do medicamento. “Portanto, a cada ano, seis mil mulheres usam o medicamento sem que ele surta efeito”, salienta Casali.

Por essa razão, especialistas do Tecpar buscam desenvolver um teste para avaliar no plasma sanguíneo a presença das substâncias produzidas na reação do medicamento com as enzimas naturais da paciente e a sua concentração.

O resultado desse teste permitirá melhorar a eficiência do tratamento. “Com esse teste, o tratamento fica mais personalizado e efetivo. Se a paciente não possui a enzima, ela já pode ser encaminhada para outro medicamento que não o Tamoxifeno”, pontua o médico oncogeneticista.

Pesquisas

A linha de desenvolvimento do Centro de Tecnologia em Saúde e Meio Ambiente do Tecpar vai atuar em dois campos: um para verificar se a dosagem das 12 marcas do Tamoxifeno corresponde à indicada na bula e outro para desenvolver um teste para medir, no plasma sanguíneo da paciente, a presença e a concentração das substâncias produzidas na reação com o medicamento.

“O trabalho é inédito no Brasil por fazer esse mapeamento, que gera respostas mais efetivas aos pacientes brasileiros”, pontua Natalício Ferreira Leite, pesquisador do centro.

De acordo com o diretor de Desenvolvimento Tecnológico do Tecpar, Reginaldo Joaquim de Souza, a pesquisa vai gerar novas soluções que podem ser incorporadas ao Sistema Único de Saúde (SUS). “A princípio, a ideia é disponibilizar ao Hospital Erasto Gaertner esse teste, para ser feito logo no início do tratamento, e, mais para frente, oferecê-lo ao SUS e levá-lo a todo o país”, explica Souza.

A expectativa é que em 2017 o teste para medir a presença e a quantidade das substâncias derivadas do medicamento usado no tratamento do câncer de mama já esteja disponível para uso pelas pacientes.