PF faz operação para investigar desvio de verba em Museu do Trabalhador

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (13) a operação Hefesta para desarticular suposto esquema de desv..

Narley Resende - 13 de dezembro de 2016, 08:54

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (13) a operação Hefesta para desarticular suposto esquema de desvio de recursos públicos federais do Ministério da Cultura para a construção do Museu do Trabalho e do Trabalhador no município de São Bernardo do Campo (SP). Concebido como um marco da gestão do prefeito Luiz Marinho (PT), o museu foi planejado para contar a história do trabalho e das greves do ABC paulista, que lançaram o ex­-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na política.

Na operação, 60 policiais federais e dez servidores da Controladoria Geral da União cumprem 32 mandados expedidos pela 3ª Vara Federal de São Bernardo do Campo, sendo oito mandados de prisão temporária, oito mandados de condução coercitiva e 16 mandados de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Santos, São Bernardo do Campo, Barueri, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

O inquérito foi instaurado pela PF a partir de informações divulgadas pela imprensa em novembro de 2014, indicando atraso e possíveis fraudes na construção daquele museu.

O prédio do museu tem 5 mil metros quadrados e o custo previsto da obra era de R$ 18,2 milhões. Conforme o Portal da Transparência, a maior parte desse valor foi desembolsada pelo Ministério da Cultura (MinC). O restante dos custos ficou a cargo da prefeitura. A União pagou R$ 11,1 milhões empenhados.

Na época, pouco mais de R$ 10 milhões já foram pagos à vencedora da licitação para fazer a estrutura do prédio, a Construções e Incorporações CEI. A negociação previa que a empresa finalizasse a obra, iniciada em abril de 2012, em nove meses. Em 2015, cerca de 75% do trabalho estava concluído.

A investigação da Polícia Federal aponta o desvio de recursos provenientes de projetos da Lei Rouanet e convênios do Ministério da Cultura com a prefeitura municipal. Há indícios de superfaturamento de projetos, subcontratação ilegal de empresas sem licitação e duplicidade de objetos nos projetos de captação.

Hefesta remete ao deus grego Hefesto, do trabalho e da metalurgia. Mais detalhes sobre a operação devem ser divulgados na tarde desta terça.