PF pede mais 15 dias para entregar relatório final da Carne Fraca

Andreza Rossini


O delegado da Polícia Federal (PF) Maurício Moscardi Grillo, solicitou no sistema da Justiça Federal a prorrogação do prazo para a apresentação do relatório final da Operação Carne Fraca, por mais 15 dias.

A solicitação foi feita na noite de quinta-feira (30) e até a manhã desta sexta-feira (31) não há uma posição do juiz federal Marcos Josegrei da Silva, responsável pela operação.

O prazo da PF para para entregar o relatório é de 30 dias, contados a partir da deflagração da Carne Fraca, no dia 17 de março.

O delegado alega que 22 presos preventivos e o diretor da BRF André Baldissera, solto após pagamento de fiança, ainda precisam ser ouvidos antes da entrega do relatório. Grillo aponta que 69 suspeitos já foram levados para depor coercitivamente, onze pessoas foram presas temporariamente e três cumprem prisão preventiva.

“A dimensão da operação, por si só, considerando indícios de diversas condutas criminosas envolvendo inúmeros investigados, fundamenta a necessidade de aproveitamento temporal para juntada de documentos que poderão instruir futuramente a denúncia a ser formulada pelo Ministério Público Federal e ação penal”, afirma o delegado.

Operação Carne Fraca

A Polícia Federal  (PF) deflagrou no último dia 17 a Operação Carne Fraca, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa liderada por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio.

A operação detectou, em quase dois anos de investigação, que as Superintendências Regionais do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) no Paraná, Minas Gerais e Goiás atuavam diretamente para proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público.

Repercussão negativa

Desde a deflagração da Carne Fraca, o governo federal reagiu argumentando que as fraudes representam um “fato isolado” e que a inspeção brasileira é “forte, robusta e séria”. Em um gesto para mostrar que não há preocupações generalizadas, o presidente Michel Temer se reuniu com embaixadores estrangeiros em uma churrascaria após apresentar números de que a operação atingiu apenas 33 dos 11 mil funcionários do Ministério da Agricultura.

A Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais (APCF) também fez críticas à operação. De acordo com a entidade, as afirmações sobre “dano agudo à saúde pública” que vieram à tona nos últimos dias “não se encontram lastreadas pelo trabalho científico” dos peritos da corporação.

“A atuação adequada dos peritos criminais federais nas demais etapas do procedimento investigatório, e não apenas no seu início e na sua deflagração, teria propiciado a correta interpretação dos dados técnicos em apuração, assim como a definição dos procedimentos técnico-científicos necessários para a materialização de crimes de fraude alimentar eventualmente cometidos pelas indústrias sob suspeição. Além disso, sem sombra de dúvida, teria poupado o país de tão graves prejuízos comerciais e econômicos”, disse a APCF.

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