PF vê indícios de lavagem de dinheiro e esposa de Cabral tem bens bloqueados

Após a confirmação das joalherias que foram comprados cerca de sete milhões de reais em jóias, a mulher de Sérgio Cabral..

Julie Gelenski - 29 de novembro de 2016, 11:52

Após a confirmação das joalherias que foram comprados cerca de sete milhões de reais em jóias, a mulher de Sérgio Cabral, Adriana Ancelmo tem bens bloqueados. O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal do Rio, atendeu o pedido do Ministério Público Federal, e determinou o bloqueio dos bens imóveis da mulher de Sérgio Cabral, Adriana Ancelmo, e de seu escritório Ancelmo Advogados.

Na decisão, o magistrado aponta evidências da participação da ex-primeira dama em um esquema de lavagem de dinheiro com propinas pagas ao ex-governador. Ela, que teria usado seu escritório de advocacia no esquema, foi alvo de condução coercitiva na Operação Calicute, que prendeu Sérgio Cabral no dia 17. Na ocasião, a Justiça também havia determinado o bloqueio dos bens do ex-governador.

“Com o aprofundamento das investigações, foi identificada a participação mais efetiva da investigada Adriana Ancelmo na atividade da suposta organização criminosa. Motivo pelo qual, tornou-se medida necessária a decretação do bloqueio de seus bens imóveis, em especial no que diz respeito à aquisição de grande quantidade de joias de altíssimo valor, normalmente em dinheiro vivo, pela pró- pria investigada ou por interpostas pessoas, nas principais joalherias do Rio de Janeiro”, escreveu Marcelo Bretas no despacho.

Investigadores da Operação Calicute querem saber o destino das dezenas de joias adquiridas pelo ex-governador e seu assessor Carlos Miranda entre 2008 e 2013. Neste período, ao menos 131 peças foram compradas apenas em uma joalheria. E apenas 40 foram apreendidas na casa de Cabral e 11 na de Miranda. Ou seja, ao menos 80 peças estão desaparecidas.

A relação de joias está em relatório entregue ao Ministério Público na sexta-feira por Maria Luiza Trotta, diretora da H.Stern. Ela confirmou que o dinheiro para pagar as peças era sempre levado por Carlos Emmanuel de Carvalho Miranda, apontado como operador de Cabral no esquema.

Já Vera Lúcia Guerra, gerente da loja Antônio Bernardo do Shopping da Gávea, confirmou em seu depoimento que o ex-governador (chamado pelo codinome “João Cabra”) e Adriana (“Lourdinha”) tinham um canal especial para compra de joias. Ele chegou a pagar R$ 5,1 milhões em joias pelo sistema paralelo, pagando em espécie em operações sem nota fiscal ou comunicação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras do Ministério da Fazenda (Coaf).

O valor total das joias adquiridas somam mais de R$ 7 milhões. Destaques para um anel de ouro 18 quilates com rubi de R$ 600 mil e um par de brincos, de Turmalina Paraíba, com diamantes, de R$ 612 mil. Agora, os investigadores estão cruzando informações para descobrir se as joalherias apenas sonegaram impostos ou foram coniventes com o esquema.

A investigação ainda apura se os benefícios fiscais obtidos pelas joalherias no período foram concedidos em troca de propina