Prefeitura de Curitiba sinaliza atraso em plano de carreira dos professores

Por Thiago Machado, Metro CuritibaRepresentantes de sindicatos de servidores municipais foram surpreendidos ontem..

Mariana Ohde - 23 de fevereiro de 2017, 07:49

Por Thiago Machado, Metro Curitiba

Representantes de sindicatos de servidores municipais foram surpreendidos ontem com a não inclusão, em um balanço da prefeitura, das dívidas do novo plano de carreira dos professores. O secretário municipal de Finanças, Vitor Puppi, enumerou aos vereadores as dívidas municipais mas não citou os aumentos aos servidores, que já deveriam ter sido pagos em dezembro do ano passado.

Ao ser confrontado pelos sindicalistas que cobravam os aumentos, Puppi respondeu que ‘é preciso entender que é preciso ter espaço orçamentário’, e que ‘não está sendo fácil para a prefeitura pagar os salários’. O plano de carreira aprovado em 2014 previa gastos suplementares de R$ 78 milhões em 2016 – valores que não foram pagos pela gestão anterior e que por enquanto não foram garantidos pela gestão de Rafael Greca (PMN).

Segundo Puppi, a dificuldade aumentou porque uma série de dívidas ficou ‘de fora’ do orçamento oficial da última gestão: são R$ 367 milhões em restos a pagar, R$ 614 milhões de gastos sem empenho, R$ 233 milhões do parcelamento da dívida com o IPMC (o instituto de previdência) e R$ 30 milhões do consórcio do lixo. Depois da apresentação do secretário, sindicalistas se queixaram com vereadores.

“Ele reconheceu todas as dívidas, inclusive as não empenhadas. Agora, queremos saber quem será pago por primeiro”, disse um deles. Ajuste Passado o período eleitoral, Rafael Greca (PMN) começou a admitir que a situação financeira da prefeitura é difícil. O prefeito prepara, para as próximas semanas, um pacote de ajuste fiscal cujas medidas ainda não foram divulgadas. Ontem o secretário adiantou, no entanto, que será modificada de alguma forma a previdência dos servidores.

A prefeitura ainda pretende retirar do cálculo orçamentário os recursos das passagens de ônibus. Segundo Puppi, a conta atual é ‘esquizofrênica’, já que as receitas são contabilizadas como sendo do município, apesar de serem repassadas diretamente para as empresas de ônibus. Retirando estes valores do orçamento, aumenta o percentual de gastos com salários, o que causa ainda mais dificuldades para o cumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal.

Outra prioridade de momento da prefeitura é o pagamento de repasses para o Tribunal de Contas do Estado. A dívida faz com que o município fique com o ‘nome sujo’ e assim impedido de receber verbas através de convênios com o estado.