Pressão popular evitou cortes em unidades de conservação

Andreza Rossini


Andreza Rossini com Brunno Brugnollo do Metro Curitiba

Na visão de ambientalistas, o ano de 2017 foi de turbulência nas decisões ligadas à conservação da natureza brasileira. As UCs (Unidades de Conservação) foram as mais ameaçadas e algumas só não foram reduzidas por pressão da sociedade civil.

“Houve grandes ameaças e investidas contra áreas protegidas, uma marca ruim, mas no lado bom houve uma mobilização da sociedade contra essas alterações. De fato, foram grande riscos que não se concretizaram, mas existe o receio de que possam voltar”, avalia o gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação Grupo Boticário e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, André Ferretti.

Especialistas questionam as iniciativas para redução das áreas de proteção, uma vez que elas têm poucas restrições. “É preocupante porque as Áreas de Proteção Ambiental (APAs) tem poucas restrições. Você tem um licenciamento rigoroso as vezes, mas é raro proibirem alguma atividade. Normalmente tem algumas áreas mais restritas, com um controle maior. Quem propõe essa redução quer fazer qualquer tipo de atividade sem nenhum tipo de controle maior pela sociedade”, afirmou Luiz Faraco, membro da Rede de Especialistas em Conservação na Natureza e analista Ambiental do Instituto Chico Mendes de conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A falta de ligação entre as unidades coloca em risco a fauna do estado. “O Paraná tem pouco das áreas naturais bem preservadas. As áreas de floresta não são suficientes para sustentar a fauna, que precisa que as áreas de mata se conectem. Nas áreas de conservação você tem áreas maiores ou mais interligadas, que permitem a melhor sobrevivência

Foto: Prefeitura de Tibagi
Foto: Prefeitura de Tibagi

da fauna. Nós precisamos de mais áreas protegidas que permitam essa vida”, explicou Luiz. “Precisaria haver muito mais esforços no sentido de conservação do que nós temos visto. Precisamos de várias ações que não vejo disposição e interesse dos governos federal e estadual em fazer”, reforçou Faraco.

Em maio, duas Medidas Provisórias (756 e 758) do governo federal, enviadas ao Congresso Nacional, propuseram a redução de mais de 1 milhão de hectares da área de UCs no Pará e na Amazônia, como a Floresta Nacional do Jamanxim, e de outras regiões do Brasil, como o Parque Nacional de São Joaquim, em Santa Catarina. Devido à desconfiguração das MPs e também por pressão, o presidente Michel Temer (PMDB) vetou todas as reduções e chegou a marcar a modelo e ativista Gisele Bündchen e a ONG WWF no Twitter quando anunciou a decisão, em junho. Meses depois, em agosto, por meio de decreto, o governo propôs a extinção da Renca (Reserva Nacional do Cobre e Associados) no Pará e Amapá, para possibilitar a exploração mineral.

“Brasil é signatário de vários acordos internacionais devido as diversas áreas que tem. Sabemos que precisamos crescer e desenvolver utilizando recursos naturais, mas sabemos que podemos fazer isso preservando para as futuras gerações os nossos recursos naturais, afirmou Emerson Oliveira, coordenador de Ciência e Informação da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Contudo, depois de derrota na Justiça e repercussão negativa, o Planalto acabou voltando atrás. Já no Paraná, uma proposta da base governista com apoio velado do poder executivo local previa a redução de quase 70% da APA (Área de Preservação Ambiental) da Escarpa Devoniana – maior unidade de conservação do Sul. Todavia, com a grande mobilização para que fosse engavetada, perdeu força entre membros da base e está parada na Assembleia. Porém, propostas para ampliação de UCs foram aprovadas, como do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, que também sofreu seu maior incêndio.

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