‘Prisão não era necessária’, diz Paulo Bernardo após ser solto

Mariana Ohde


O ex-ministro Paulo Bernardo e o advogado Guilherme Gonçalves, ambos detidos na semana passada na Operação Custo Brasil, deixaram a cadeia na noite desta quarta-feira (29). Paulo Bernardo e Guilherme Gonçalves deixaram a superintendência da Polícia Federal em São Paulo por volta de dez e meia da noite.

A decisão foi do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF) – segundo o ministro, houve “flagrante constrangimento ilegal” na prisão preventiva do ex-ministro e não havia elementos concretos para embasar a medida. Paulo Bernardo é acusado de receber mais de R$ 5 milhões desviados do Ministério do Planejamento.

Depois da decisão do STF referente a Paulo Bernardo, o juiz da 6ª Vara Federal de São Paulo, Paulo Bueno de Azevedo, resolveu soltar outros sete investigados da operação, incluindo o advogado Guilherme Gonçalves. Todos deixaram a cadeia sem tornozeleira eletrônica, por falta de verbas. A partir de agora, eles não podem deixar o país e nem manter contato com os demais investigados.

Após ser solto, Paulo Bernardo, que é marido da senadora Gleisi Hoffmann, cujos apartamentos foram alvos de mandados de busca e apreensão na operação, afirmou que a prisão não era necessária. “Eu sou inocente. Isso vai ficar demonstrado. Acho que essa prisão não era necessária, porque eu estava em local determinado, absolutamente encontrável, e me coloquei à disposição da Justiça. Várias vezes mandamos petições para o Ministério Público, para o juiz, para os advogados, me colocando à disposição para depor e durante dez meses não fui chamado”, afirma.

Operação Custo Brasil

A Operação Custo Brasil apurou desvios de mais de R$ 100 milhões no Ministério do Planejamento. Segundo as investigações, a empresa Consist Software, responsável por gerenciar os contratos de crédito consignado do Ministério, desviava 70% do valor que recebia e direcionava para funcionários públicos e políticos, como Paulo Bernardo. A propina chegava até ele por meio do escritório de advocacia de Guilherme Gonçalves, que assinava contratos fictícios com a Consist e emitia notas de serviços que nunca teriam sido realizados. O escritório, então, repassava os valores ao ex-ministro.

Os investigadores identificaram, até agora, pagamentos de R$ 7 milhões da Consist para o escritório. Desse total, 80%, ou seja, R$ 5,6 milhões, bancavam despesas pessoais de Paulo Bernardo, e os outros 20% ficavam com o próprio Gonçalves. Após ser solto, o advogado disse que recebeu R$ 6 milhões da Consist Software, mas por serviços que foram realizados. “Sou advogado dele [Paulo Bernardo] e da senadora Gleisi há bastante tempo. Algumas despesas que a Polícia Federal entendeu que eram despesas particulares, não eram. Eram despesas da organização da campanha eleitoral da senadora em 2010, da qual eu já era coordenador desde 2009. Eu estava antecipando despesas e, depois, com meus honorários, eu compensaria isso”, explica.

A senadora Gleisi Hoffmann comemorou a soltura do marido durante a sessão da Comissão do Impeachment no Senado. Ela disse que a decisão do STF era “fundamental” por não haver indícios que justificassem a prisão. Depois da prisão, a senadora faltou em duas sessões do Senado. Ela voltou aos trabalhos na segunda-feira e usou a tribuna para criticar a Operação Custo Brasil.

Em nota, o Ministério Público Federal de São Paulo criticou a soltura de Paulo Bernardo. Os procuradores viram a decisão do STF com “perplexidade” e disseram que o ministro Dias Toffoli sequer consultou a Procuradoria Geral da República antes de conceder o habeas corpus. O MPF afirmou que vai concentrar esforços para que a PGR busque reverter a decisão.

(Com informações da repórter Tabata Viapiana)

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal