Professores mantêm ocupação em núcleos de educação do Paraná

Professores da rede estadual e representantes da APP-Sindicato mantêm nesta terça-feira (31) pelo segundo dia consecutiv..

Narley Resende - 31 de janeiro de 2017, 09:07

Professores da rede estadual e representantes da APP-Sindicato mantêm nesta terça-feira (31) pelo segundo dia consecutivo a ocupação de 29 dos 32 núcleos regionais de educação do Paraná. Em alguns casos os núcleos não podem funcionar, enquanto em outros a manifestação fica restrita a parte de fora e os núcleos puderam operar normalmente.

Em Loanda, Dois Vizinhos, Campo Mourao e Cianorte os professores acamparam em frente aos núcleos. Em Curitiba e região metropolitana uma liminar da Justiça obtida pelo governo impede a ocupação.

Os professores protestam contra a redução das horas-atividade (como é conhecido o período de trabalho fora de sala de aula) e pela restrição de distribuir novas aulas para aqueles que tenham tirado licenças no último ano.

A distribuição das aulas começa amanhã (quarta), destaca o presidente da APP, Hermes Leão. “Nós queremos sensibilizar o governo contra essa maldade que estão fazendo contra a categoria para que revoguem isso”, diz.

Hermes diz ainda que as manifestações foram convocadas para acontecer apenas ontem, e que por isso a partir de hoje os núcleos devem ser liberados.

Os sindicalistas dizem que a redução da hora-atividade vai sobrecarregar os professores, e ainda que profissionais que estiveram doentes no último ano serão prejudicados na distribuição de aulas de 2017.

A APP entrou com três ações na Justiça para barrar a distribuição das aulas que deve começar amanhã (quarta) e aguarda uma decisão.

"A assembleia (no dia 11) vai decidir se o ano letivo começa. Mesmo em férias o pessoal está mobilizado tenando impedir que isso (a greve) aconteça", diz o diretor da APP Luiz Fernando Rodrigues.

Governo não recua

O Executivo estadual manteve ontem a posição de não revogar as medidas. Também foram aberto boletins de ocorrências contra as ocupações, e a Procuradoria Geral do Estado já prepara pedidos de reintegração de posse.

O secretário da Casa Civil do Paraná, Valdir Rossoni (PSDB), reafirmou que, “em relação à hora-atividade a medida foi tomada com o objetivo de manter o professor mais tempo em sala de aula, com os alunos.”

Segundo o governo, com o novo cálculo, o Estado seguirá garantindo mais de um terço do tempo à hora-atividade (37,5%) – indo além, portanto, do previsto em lei.

Ainda de acordo com o governo, as alterações na distribuição das aulas são uma medida de economia para diminuir as contrata- ções temporárias de professores. Segundo a APP serão 7 mil professores a menos, número não confirmado pelo governo.

Em nota, a secretaria de Educação disse que “a orientação da SEED é fazer boletim de ocorrência e encaminhar os documentos à Procuradoria Geral do Estado para que sejam providenciados os pedidos à Justiça de liberação dos prédios.”

Reivindicação 

Com as mudanças propostas pelo governo, a cada 20 aulas distribuídas, cinco serão de hora-atividade, que é carga horária dedicada a atividades pedagógicas, como preparação das aulas e correção de provas.

Para a APP, a hora-atividade cairia dos 33% obrigatórios por lei para 25%.

Professores que somaram 30 dias ou mais de afastamento por qualquer motivo nos últimos três meses vão enfrentar restrições.

Os professores estatutários nessas condições não vão poder assumir aulas extraordinárias.

Os professores temporários não vão poder renovar contratos do Processo Seletivo Simplificado. As medidas foram comunicadas à APP Sindicato na noite do dia 17 de janeiro, em uma reunião convocada pelo governo do estado.

 

Com Metro Jornal Curitiba