Protestos contrários ao impeachment fecham rodovias em vários estados

Mariana Ohde


Com pneus queimados, faixas e cartazes, manifestantes bloquearam rodovias em todo o Brasil nesta terça-feira em protesto contra o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

No Rio de Janeiro, com faixas em que se lia “não vai ter golpe”, os manifestantes bloquearam a rodovia Rio-Santos, na altura de Itaguaí. Mais cedo, a via Dutra, que liga o Rio a São Paulo, também chegou a ser interditada, mas foi liberada, de acordo com informações do Centro de Operações da prefeitura carioca. Em São Paulo, os manifestantes interditaram logo cedo duas das principais vias expressa da região metropolitana. LINK

Em Brasília, foram bloqueadas com pneus queimados as rodovias BR-070 (Brasília-Mato Grosso), na altura do km 18, perto de Águas Lindas, e a BR-020 (Brasília-Salvador), na altura do km 17. Ambos os protestos foram encabeçados pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Eles reivindicam também a reforma agrária, além da suspensão do processo de impeachment de Dilma.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), manifestantes ligados à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e ao MST bloquearam também a BR-101, na altura do km 83, em Pernambuco. No Amazonas, foi interditada a BR-174, na altura da cidade de Presidente Figueiredo. Na Paraíba, foi fechada BR-230, em Bayeux, enquanto que na Bahia os manifestantes da CUT interditaram a BR-324, em Feira de Santana. Os manifestantes contrários ao afastamento de Dilma fecharam também a BR-262, em Viana, no Espírito Santo. No Rio Grande do Sul, o acesso a Porto Alegre ficou interditado devido a um protesto na BR-290.

Ontem, a CUT divulgou nota em que anunciava um dia nacional de mobilizações e paralisações para hoje. Segundo o texto, seriam realizados atos em todos os estados, incluindo o fechamento de rodovias, passeatas e ocupações de escolas e universidades.

PARANÁ

No Paraná, há registros de protestos em Foz do Iguaçu, na BR-600, quilômetro 6,8. Desde as 6h30, cerca de 200 manifestantes de centrais sindicais e do MST interditaram parcialmente a rodovia. A PRF informa que conseguiu manter o fluxo normal de veículos e o acesso à Usina de Itaipu. Na sequência os mesmos manifestantes se dirigiram até a Ponte da Amizade, que liga o Brasil ao Paraguai. Agentes da PRF, da PF, da Força Nacional e da Guarda Municipal estão no local e impedem o bloqueio total da ponte. Há lentidão no fluxo sentido Paraguai.

Em Peabiru, BR-158, quilômetro 202, há manifestação do Movimento de Luta pela Terra (MLT). A pista foi fechada nos dois sentidos desde as 7h20 por aproximadamente cem manifestantes. Em Palmeira, BR-277, quilômetro 538, integrantes do MST ocuparam às 9h a praça de pedágio e mantiveram as cancelas abertas. E em Laranjeiras do Sul, BR-277, km 464, desde as 9h ocorre uma interdição total da pista na praça de pedágio. No local, são aproximadamente cem manifestantes do MST.

Em Realeza, na BR-163, no quilômetro 131, cerca de 200 manifestantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) bloqueiam totalmente a rodovia, na cabeceira da ponte do Rio Iguaçu.

CURITIBA

Em Curitiba, uma mobilização organizada pela Frente Brasil Popular expôs na manhã desta terça-feira (10) centenas de balões em forma de coração no Calçadão da Rua XV de Novembro.  Com as inscrições “Fica, querida. Este não serão o país do ódio”, a ação faz parte de uma mobilização nacional, contra o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Os balões podem ser levados por pessoas que passam pelo calçadão.

Às 10 horas, membros de sindicatos e movimentos sociais fazem um abraço simbólico no Banco do Brasil da Praça Tiradentes, no Centro. De lá, os manifestantes caminham até a Caixa Econômica Federal, onde se concentram por volta meio-dia, “para reforçar a necessidade dos programas sociais e contra as privatizações”.

O ato foi convocado pela Frente Brasil Popular, em uma carta publicada no dia 1º de maio.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal