Próximo da data-base, crise no transporte não tem fim

Brunno Brugnolo, Metro Jornal CuritibaCuritiba amanheceu ontem com um nova greve parcial do transporte coletivo. Funcion..

Narley Resende - 11 de janeiro de 2017, 08:16

Brunno Brugnolo, Metro Jornal Curitiba

Curitiba amanheceu ontem com um nova greve parcial do transporte coletivo. Funcionários de três das 11 empresas que operam na capital não haviam recebido o salário de dezembro.

Duas delas, a São José Filial e CCD não rodaram durante a manhã e mais de 60 linhas foram afetadas, principalmente alimentadores do eixo Boqueirão (entre as ruas Francisco Derosso e Canal Belém) e do Leste (Avenida das Torres até imediações do Detran-PR).

A situação na CCD foi resolvida na hora do almoço, quando os trabalhadores aceitaram receber 80% do salário ontem e os 20% restantes hoje. Já na São José Filial as linhas só voltaram a rodar depois das 16h, quando os funcionários toparam receber 35% do salá- rio ontem e 25% hoje – os outros 40% foram pagos em dia.

Ao todo, cerca de dois mil funcionários das duas empresas e também da Tamandaré Filial participaram de reuniões na madrugada e amanheceram mobilizados. A Tamandaré não paralisou os serviços ontem, mas os trabalhadores sem salário abriram indicativo de greve de 72h e vão parar caso não recebam até lá.

As greves de ônibus na capital são mais do que recorrentes – a última paralisação tinha ocorrido na véspera de Natal. Desta vez, ao contrário de dezembro, a Urbs estava com os repasses em dia.

Em nota, o Setransp (Sindicato da Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana) argumentou que o problema é resultado de um desequilíbrio econômico-financeiro dos contratos de concessão, pois a projeção de passageiros não se realiza e dessa forma o sistema não se paga.

Segundo as empresas, desde 2012 os números projetados nunca se cumpriram. Só na última projeção, considerando dados de mar- ço a dezembro do ano passado foram 12,4 milhões de passageiros a menos, uma perda de cerca de R$ 45 milhões. O Setransp espera que na revisão da tarifa técnica em fevereiro, seja feita uma ‘projeção realista’ – o que acarretaria em uma passagem mais cara.

Em nota, a Urbs informou que as empresas do transporte coletivo são remuneradas de acordo com o que determina o contrato, constando riscos assumidos, e que cobrará providências do Consórcio Pioneiro, do qual São José Filial e CCD fazem parte.

Aumento à vista

No mês que vem também entra a nova data-base de motoristas e cobradores e, junto com ela, um praticamente inevitável aumento da tarifa aos usuários, hoje de R$ 3,70, já que os salários representam nada menos que a metade do custo da tarifa. Nenhuma pauta de reivindicações foi entregue aos patrões, mas a pedida vai exigir no mínimo a reposição da inflação dos últimos 12 meses, atualmente em 7,39%.

“Há um esgotamento generalizado na categoria, uma revolta, uma indignação. Os atrasos salariais já ocorrem há anos e até agora nenhuma autoridade foi capaz de dar um basta nisso”, disse o presidente do Sindimoc, Anderson Teixeira. Ele protocolou um ofício pedindo ao uma audiência com o prefeito Rafael Greca (PMN) para tratar do problema.