Quatro estradas do Brasil estão no ‘mapa do perigo’

Rafael Neves, Metro Jornal CuritibaO Brasil foi incluído em outubro – e mantido em novembro – em um relatório mensal que..

Narley Resende - 14 de novembro de 2016, 09:00

Rafael Neves, Metro Jornal Curitiba

O Brasil foi incluído em outubro – e mantido em novembro – em um relatório mensal que lista as estradas mais perigosas do mundo para transporte de carga.

Quatro trechos de rodovia foram citados: Curitiba-São Paulo e São Paulo-Rio, na BR-116, e Brasília-Santos (BR- 050, até entrar em São Paulo, e SP-330, a Rodovia Anganguera, até voltar a ser BR-050 e chegar ao Porto de Santos).

A lista é elaborada pelo JCC (Joint Cargo Commitee), um comitê de empresas e entidades que avaliam o risco do mercado de seguros (nesse caso, do seguro de carga), em Londres, na Inglaterra.

Segundo o comitê, se identificou que “o roubo de carga figura entre as principais atividades do crime organizado no Brasil, auxiliado por um consolidado mercado negro para produtos roubados, que algumas vezes inclui receptadores não clandestinos”.

Estes quatro trechos estão classificados como de “alto risco”, com nota de 3,4 em uma escala de 1 a 10. Quanto maior a nota, menor a segurança. Estradas acima de 6,5 já recebem o conceito de “risco extremo”.

As estradas mais perigosas do mundo, com nota acima de 5, estão em zonas de guerra, como Síria, Iêmen e Líbia. A nota do Brasil é comparável a rodovias no México (3,6) dominadas pelo narcotráfico.

O Anuário de Segurança Pública de 2016 acusa um aumento de 12,23% nas ocorrências de roubo de carga entre 2014 e 2015, que teve 18.491 casos.

A explosão de roubos tem estimulado o ramo do gerenciamento de riscos. As seguradoras fazem um diagnóstico para definir os melhores trajetos, horários e valores para as empresas transportarem suas cargas. “O foco é na prevenção”, diz Adailton Dias, diretor da Sompo Seguros.

Crise piorou situação, diz seguradora

Não é apenas nos números que se nota a insegurança nas rodovias; o mercado absorve essa sensação. Adailton Dias, diretor da Sompo Seguros, destaca que a variedade de produtos visados pelas quadrilhas aumentou.

“Para o transporte de algumas cargas, como a de cigarro, as empresas nem aceitam fazer seguro. Outras, como de eletrônicos e medicamentos, são consideradas de alto risco. Mas tem havido muito roubo de mercadorias básicas, como papel higiênico”, diz Dias.

Para ele, a crise econômica tem piorado a situação. “O número de desempregados abriu novas oportunidades para o crime”, avalia.

Gráfico de perigo nas estradas do Brasil