Recall em coletes balísticos foi irregular, diz Exército

Ricardo Pereira, BandNews FM Curitiba O recall feito em coletes balísticos fornecidos à Polícia Militar do Paraná pelo G..

Narley Resende - 10 de fevereiro de 2017, 11:54

Ricardo Pereira, BandNews FM Curitiba

O recall feito em coletes balísticos fornecidos à Polícia Militar do Paraná pelo Grupo Inbra foi irregular, segundo o Exército Brasileiro. Um relatório aponta que os equipamentos que passaram pelo procedimento não garantem o nível de proteção indicado pelo fabricante.

De maneira cautelar, o Exército determinou a suspensão da produção e comercialização do modelo de colete investigado. Além da PM, outros órgãos de segurança do estado também adquiriram o mesmo artefato.

Pouco mais de 11 mil coletes passariam pela recauchutagem, mas acabaram apreendidos pela Polícia Civil, em abril do ano passado. O Exército analisou coletes fabricados entre 2009 e 2013. Eles deveriam garantir proteção em nível II – resistência a projéteis calibre 9 milímetros e .357. Contudo, segundo o laudo, os coletes apresentam “fortes indícios” de que não possuem tal proteção.

Oposição quer investigação do MP

O deputado Requião Filho (PMDB) foi quem enviou um ofício ao Exército no ano passado, questionando a situação. Ele pede que o Ministério Público passe a investigar o caso.

"A questão mais grave é que foi vendido para a Polícia Militar do Estado do Paraná um colete que não gera a proteção adequada da vida dos nosso policiais. E quando isso foi constatado fizeram uma recauchutagem, que insistem em chamar de 'recall', um procedimento, inclusive, que é proibido pelo Exército Brasileiro. Houve má fé por parte da Inbra e um erro que coloca em risco a vida dos nossos policiais militares e civis. Uma investigação por parte do Ministério Público se faz necessária para descobrir quem é o responsável por ter colocado em risco a vida dos nossos policiais", aponta.

"No meu entendimento beira a tentativa de homicídio culposo esse procedimento adotado pela Polícia Militar e pela Inbra e pela Polícia Civil que despois buscou a solução do problema", critica.

Ineficiência

Entre as prováveis causas do problema, o Exército destaca uma “conjugação da exposição aos raios ultravioletas e a contaminação dos tecidos balísticos por sudorese” dos policiais. O documento aponta que o recall foi alternativa para “sanar a ineficiência” dos equipamentos, acrescentando duas mantas de aramida e substituindo a capa.

A legislação que trata dos coletes permite um acréscimo de 10% do número de camadas para cada tipo de tecido. Entretanto, a análise apontou que a alteração foi em mais de 66% do produto – o que configura o procedimento como irregular.

Governo nega irregularidade

Por meio de nota, a PM diz que “não cometeu nenhuma irregularidade e que foi o único órgão de segurança que tomou providência diante das deficiências constatadas. Alega ainda, que a constatação implica esclarecimentos da empresa fabricante, e não da Polícia Militar. O Grupo Inbra também foi procurado, mas ainda não se manifestou.