Repórteres da NSC TV, afiliada da Globo, são agredidos em praia em Florianópolis

Dois repórteres da NSC TV, afiliada da TV Globo em Santa Catarina, foram agredidos enquanto faziam uma reportagem na pra..

João Pedro Pitombo - Folhapress - 02 de novembro de 2020, 17:32

Foto: Reprodução/NSC TV
Foto: Reprodução/NSC TV

Dois repórteres da NSC TV, afiliada da TV Globo em Santa Catarina, foram agredidos enquanto faziam uma reportagem na praia do Campeche, em Florianópolis.

A repórter Bárbara Barbosa e o cinegrafista Renato Soder trabalhavam em reportagem sobre o descumprimento da lei estadual que proíbe aglomerações durante a pandemia do novo coronavírus, quando foram abordados de forma agressiva por um grupo de pessoas que estavam na praia.

Dois homens avançaram sobre a câmera para tentar impedir as filmagens e ameaçaram quebrar os equipamentos dos repórteres. Um deles tomou o celular das mãos da jornalista, que ficou com marcas da agressão nos pulsos.

Em nota, o grupo NSC Comunicação classificou a agressão como "uma tentativa de impedir o trabalho da imprensa, de levar os fatos ao conhecimento público", direito garantido pela Constituição. E destacou que atitudes como esta vêm se repetindo no país inteiro.

"Os agressores responderão pelos seus atos. E nós vamos continuar fazendo o que fazemos: jornalismo profissional, independente e essencial para a sociedade catarinense", informou o grupo NSC.

A Associação Catarinense de Imprensa, em nota, se solidarizou com os profissionais e repudiou a agressão, a qual classificou como covarde. A entidade ainda manifestou preocupação com "a crescente onda de violência contra jornalistas e contra o jornalismo".

De acordo com a Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), o número de agressões a profissionais de imprensa cresceu de 135 em 2018 para 208 casos em 2019.

"Tentar calar a imprensa é atitude irresponsável e perigosa de pessoas que flertam com o autoritarismo sem ao menos entender as implicações históricas de tal atitude. Espera-se que os agressores sejam devidamente identificados e exemplarmente punidos, na forma da lei", informou a entidade.

A Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão classificou o episódio como inaceitável e ressaltou que "qualquer tipo de intimidação ou constrangimento ao trabalho de equipes de reportagem em sua missão de informar a população configura um atentado contra a liberdade de imprensa".

COVID-19 EM ALTA EM FLORIANÓPOLIS

De acordo com levantamento da Prefeitura de Florianópolis, a cidade apresenta risco potencial grave para a covid-19 - equivalente à bandeira laranja, adotada em Curitiba. 

A capital catarinense ampliou as atuais medidas protetivas contra o novo coronavírus na última sexta-feira (30), por mais duas semanas. As medidas são válidas para diferentes tipos de comércio e também para a utilização de espaços públicos.

As praias, por exemplo, ficam liberadas para a prática de atividades físicas, mergulhos e esportes, mas sem permanência na areia. Quem for flagrado descumprindo as medidas protetivas em Florianópolis está sujeito a multa de até R$ 1250, em caso de reincidência.

O Covidômetro, ferramenta que indica a incidência da covid-19 em Florianópolis e é atualizada diariamente pela prefeitura indica nesta segunda-feira (2) 19.161 casos confirmados da doença, e 162 mortes.