Rossoni ameaça descontar salários e professores convocam assembleia

Com Francielly AzevedoEm reunião com professores da rede estadual de ensino, na manhã desta sexta-feira (27), no Palácio..

Narley Resende - 27 de janeiro de 2017, 12:29

Com Francielly Azevedo

Em reunião com professores da rede estadual de ensino, na manhã desta sexta-feira (27), no Palácio do Iguaçu, sede do governo estadual em Curitiba, o secretário da Casa Civil, Valdir Rossoni, disse que o governo está "com a caneta na mão para descontar salários, caso os professores entrem em greve". A declaração foi dada durante a reunião, com os representantes da categoria sentados à mesa.

O clima de desacordo deve impor ao governo novos protestos nos próximos dias, segundo a APP-Sindicato. Para o presidente da entidade, Hermes Leão, o papel da Secretaria devia ser de mediação. "Se ficar estilo briga de piá pançudo os dois lados vão perder", disse também durante a reunião, em resposta a Rossoni.

No fim da reunião, o sindicato enviou nota prévia em que convoca a categoria para assembleia no dia 11 de fevereiro, em Maringá. "Em um verdadeiro monólogo, secretário da casa civil Valdir Rossoni diz que governo não voltará atrás em sua decisão", diz a nota.

O impasse entre governo e professores é em torno de uma resolução anunciada no dia 17 de janeiro pelo governador Beto Richa (PSDB), que altera a distribuição de aulas e hora-atividade.

Ocupação

Um grupo de 200 professores ligados ao sindicato ocupou nessa quinta-feira durante todo o dia o prédio da Secretaria de Estado da Educação no bairro Água Verde em Curitiba.

Os manifestantes só saíram após o governo conseguir uma liminar na Justiça com pedido de reintegração de posse. A APP afirma que vai recorrer da liminar.

Reivindicação

Com as mudanças propostas pelo governo, a cada 20 aulas distribuídas, cinco serão de hora-atividade, que é carga horária dedicada a atividades pedagógicas, como preparação das aulas e correção de provas.

Para a APP, a hora-atividade cairia dos 33% obrigatórios por lei para 25%.

Professores que somaram 30 dias ou mais de afastamento por qualquer motivo nos últimos três meses vão enfrentar restrições.

Os professores estatutários nessas condições não vão poder assumir aulas extraordinárias.

Os professores temporários não vão poder renovar contratos do Processo Seletivo Simplificado. As medidas foram comunicadas à APP Sindicato na noite da última segunda-feira (17), em uma reunião convocada pelo governo do estado.

Possibilidade de greve

No dia 11 de fevereiro, antes do início do ano letivo, será realizada uma assembleia geral, em Maringá, em que os professores vão definir quais ações serão tomadas para reverter essa situação. Paralisações não estão descartadas.