Rússia volta a atacar arredores de Kiev duas semanas após retirada de tropas da região

Há duas semanas a capital não ouvia explosões tão fortes quanto nesta sexta-feira; ataque teve como alvo um centro de fabricação e reparo de mísseis.

Folhapress - 15 de abril de 2022, 12:45

Foto: Reprodução/Twitter
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O governo russo voltou a atacar a capital ucraniana nesta sexta-feira (15), disse o Kremlin, quando atingiu uma fábrica de mísseis nos arredores de Kiev. Este é o primeiro ataque desde a retirada de tropas russas da região, no fim de março, quando Moscou afirmou que concentraria forças no sul e no leste do país.

Alarmes antiaéreos soaram várias vezes ao longo da madrugada, disse o governador da região de Kiev, Olexandr Pavliuk. O ataque teve como alvo um centro de fabricação e reparo de mísseis antinavios, segundo o próprio Kremlin, no que foi entendido como retaliação ao naufrágio do navio de guerra Moskva, a mais importante embarcação militar russa no mar Negro, que afundou na quinta-feira (14).

"O número e a escala de ataques com mísseis a alvos em Kiev aumentarão em resposta a quaisquer ataques terroristas ou atos de sabotagem em território russo cometidos pelo regime nacionalista de Kiev", disse o Ministério da Defesa russo em comunicado.

O governo russo afirma que dois helicópteros ucranianos equipados com armas pesadas entraram em seu território e dispararam pelo menos seis tiros em áreas residenciais na cidade de Klimovo, na província de Briansk. Sete pessoas ficaram feridas, incluindo um bebê. Moscou afirma que a Ucrânia bombardeia cidades russas na fronteira, o que Kiev nega. Segundo os ucranianos, são os serviços secretos russos que promovem taques terroristas na região para alimentar o conflito.

O ataque à fábrica de mísseis Neptune desta sexta, no entanto, coloca Moscou em contradição, uma vez que o governo Putin não reconhece que o navio foi afundado após ser atingido por mísseis ucranianos, como diz Kiev. Para Moscou, o naufrágio ocorreu após uma explosão da munição armazenada no navio.

O Moskva era de longe o maior navio da Rússia na frota do Mar Negro, equipado com mísseis guiados para atacar a costa e derrubar aviões, além de radar para fornecer cobertura de defesa aérea para a frota. A nau ganhou notoriedade no início da guerra pelo ataque à ilha da Cobra, em que 19 marinheiros ucranianos foram capturados e depois trocados por prisioneiros russos.

A Rússia usou seu poder naval para bloquear portos ucranianos. Sem seu carro-chefe, sua capacidade de ameaçar a Ucrânia pelo mar fica prejudicada, segundo analistas.

Nenhum navio de guerra desse tamanho foi afundado em conflitos desde o cruzador argentino General Belgrano, torpedeado pelos britânicos na guerra das Malvinas, em 1982.

Mais de cinco milhões de pessoas fugiram da Ucrânia desde o início da invasão russa, em 24 de fevereiro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira pela Organização das Nações Unidas.

Há duas semanas a capital não ouvia explosões tão fortes quanto nesta sexta-feira.

Kirill Kirilo, 38, trabalhador de uma oficina de automóveis, disse ter visto três explosões atingirem um prédio industrial do outro lado da rua, causando um incêndio que depois foi contido pelos bombeiros. "O prédio estava pegando fogo e eu tive que me esconder atrás do meu carro", disse, mostrando pedaços de vidro e de metal que voaram do prédio em chamas.

O Ministério da Defesa da Rússia também disse que capturou a companhia siderúrgica Iliich, em Mariupol, uma das últimas áreas industriais que se mantêm na cidade sitiada do leste do país, que viveu os combates mais pesados da guerra e a pior catástrofe humanitária.

Já a Ucrânia disse que conseguiu fazer recuar as ofensivas russas nas cidades de Popasna e Rubijne, ao norte de Mariupol. Os relatos, porém, não puderam ser confirmados de forma independente.

Fora de Kiev, Moscou agora diz que seu principal objetivo de guerra é capturar o Donbass, região oriental hoje parcialmente controladas por separatistas pró-Rússia.

Segundo o governo ucraniano, combates em Donetsk mataram três pessoas e feriram outras sete nesta sexta-feira. Em Luhansk, na mesma região, 24 bombardeios deixaram dois mortos e 10 feridos.

Os russos enviaram uma nova coluna com milhares de soldados para o leste, no que Kiev prevê ser o próximo grande ataque nesta guerra. Moscou diz que espera tomar toda Mariupol em breve, que seria a única grande cidade que conquistou até agora.

A Rússia também afirmou nesta sexta-feira ter matado 30 mercenários poloneses em um bombardeio no nordeste da Ucrânia, em um momento de tensão crescente entre Moscou e Varsóvia.

Segundo o governo ucraniano, os russos atacaram um ônibus que retirava civis da região de Kharkiv, no leste do país, e mataram sete pessoas, além de ferir 24. Mais ao sul, na região de Zaporíjia, uma pessoa foi morta e cinco ficaram feridas no bombardeio russo da cidade de Vasilivka.