Sem MBL e ‘Vem Pra Rua’, domingo será de protestos contra Temer

Narley Resende


Pelo menos três manifestações estão marcadas para este fim de semana em Curitiba. A principal, no domingo (21), na Praça Santos Andrade, é organizada por dois grupos paralelamente. Um é o coletivo CWB Resiste e o outro é a Frente Brasil Popular – que reúne cerca de 40 movimentos sociais com base de esquerda. As organizações convocam a população e militantes para reivindicar a saída de Michel Temer da presidência e a realização de eleições diretas imediatas.

Movimentos que pediram impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, como Movimento Brasil Livre (MBL), Vem Pra Rua, e Curitiba Contra Corrupção (MCC), não devem se manifestar neste fim de semana.

Entre os atos marcados, há também outras duas manifestações no domingo (21). O grupo Primavera Cidadã, que se diz apartidário, vai realizar um ato, marcado para começar às 14h na Praça Osório, na Boca Maldita, centro de Curitiba. O grupo também pede Diretas Já. O movimento Primavera Cidadã também questiona as reformas propostas pelo presidente, como a trabalhista e da previdência.

A outra está marcada para o mesmo horário, só que na Praça Nossa Senhora de Salete. No Facebook, o ato organizado pelo ex-candidato a vereador de Curitiba Michel Francisquini (PSDC) é chamado “Manifesto Contra os Corruptos”.

Fora Temer

Pela primeira vez em anos, movimentos que organizam manifestações em Curitiba tem um ponto central comum. Todos se posicionam contra o presidente Michel Temer, do PMDB.

As mobilizações desta semana foram marcadas assim que foi revelado conteúdo de gravação acrescentada à delação premiada do sócio da JBS, Joesley da Silva, em que o presidente aparece dando aval para a estratégia da empresa de pagar propina mensal ao ex-deputado Eduardo Cunha para evitar uma delação.

Embora não haja defensores do político entre os grupos, as reivindicações relacionadas às medidas para remediar o problema são diferentes. Alguns pedem renúncia ou impeachment de Temer, outros, eleições diretas, alguns indiretas, e há até mesmo os que defendem que a Justiça e o Congresso decidam o destino do presidente.

Foto: Melito Junior (CWB Resiste).
Foto: Melito Junior (CWB Resiste).

Representante do CWB Resiste, organizador de atos que ocorreram quinta e sexta-feira na Praça Dezenove de Dezembro, Thiago Regis, ligado ao “Mais” (vertente do PSTU), afirma que a melhor alternativa para o movimento é a eleição geral imediata.

“Vendo que em eleições diretas não teriam um resultado positivo, porque colocaria um político envolvido em algum esquema com certeza, a gente acha que o melhor caminho seria as eleições. Pelo menos o povo poderia decidir, por mais que não concordemos com eleições que enganam, manipulam, para manter o mesmo sistema só que com vetor diferente”, pondera.

O CWB Resiste, que se diz apartidário, mas que tem membros filiados ao PSTU e PSOL, surgiu no ano passado para exigir a saída de Michel Temer logo depois do impeachment da ex-presidente Dilma Roussef (PT). De lá pra cá o grupo que se diz apartidário ampliou o leque de reivindicações.

“O Curitiba Resiste surgiu, primeiramente, com nome de CWB Contra Temer. A gente cresceu na pauta, cresceu politicamente, e reconhece que personificar os problemas não é a solução. Colocar tudo nas costas do Temer, falar que ele é problema da política atual, não vai funcionar. Tudo que ocorreu neste último ano foi resultado de organização política em Brasília e no Brasil todo, para realmente aprovar essas reformas, PEC 55, tirar direitos, cortar do trabalhador para dar para quem já tem”, acusa.

Regis afirma que os participantes do ato tem uma linha ideológica comum. “A nossa principal pauta sempre foi lutar pelos nossos direitos. Independente de que estivesse no governo. Quem participa dos atos do CWB são pessoas que já estão preocupadas com o Estado que reprime, que persegue, que rouba, que não ouve as classes mais baixas e o que o povo está falando. É algo que temos para todos os nossos atos, não somente o Fora Temer”, explica.

Movimentos que apoiaram impeachment de Dilma não participam

Entre os movimentos anti-PT, as manifestações que chegaram a ser marcadas foram todas canceladas.

Com o mote “Fora Todos”, o grupo “Vem Pra Rua” que organizava um protesto para acontecer em frente à sede da Justiça Federal, no bairro Ahú, cancelou o evento por orientação de representantes do movimento em São Paulo.

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De acordo com o grupo, a capital paulista tem a Virada Cultural no fim de semana e a decisão de não realizar a manifestação atendeu a um pedido da Polícia Militar (PM-SP). A PM nega a recomendação.

De maneira geral, o Vem Pra Rua pede a renúncia do presidente Temer, além de prisão do senador Aécio Neves, do PSDB, e do ex-presidente Lula, do PT.

Membros defendem eleições indiretas, em consonância com partidos como o PSDB no Congresso Nacional. Nas páginas do grupo na internet, porém, não há consenso sobre o tema.

Movimento Curitiba Contra Corrupção

O Movimento Curitiba Contra a Corrupção (MCC) havia marcado uma manifestação para domingo (18), mas que foi cancelada. Os organizadores afirmam que vão aguardar mais informações. De acordo com Cristiano Roger, representante do movimento, o grupo se diz a favor da Constituição Federal e contra as eleições diretas.

“Somos um movimento apartidário, sempre preza na luta contra a corrupção, apoio à Lava Jato e à Justiça. Está muito nebuloso ainda, esses áudios, tem que ver toda a delação dos irmãos da JBS, que não tem só a questão do Temer envolvida, não tem só o Aécio, tem a questão do PT, a relação deles com Dilma Roussef, o presidente Lula. Na verdade são todos os políticos. Nós queremos que a justiça se cumpra para todos.

Tanto o Vem Pra Rua quanto o Curitiba Contra a Corrupção devem marcar manifestações para a semana que vem.

Movimento Brasil Livre

O líder do Movimento Brasil Livre no Paraná, Eder Borges, que foi candidato a vereador de Curitiba pelo PSC, afirma que a queda do presidente agora traria um desgaste e instabilidade política e econômica ao país.

“É confiar na Justiça. Agora, outra coisa que é completamente absurda é movimentos que estão na rua, com bandeiras comunistas, pedindo ‘Diretas Já’. Imagine só fazer uma eleição direta nessa altura do campeonato. Pra quê? Pra colocar quem no lugar? Vai fazer o quê? Vai ficar um ano no poder. Vamos gastar um navio de dinheiro”, aponta o líder do MBL.

Borges critica as manifestações que pedem eleições diretas. “O que eu vejo desse pessoal que está indo pra rua, pedindo eleição direta, eu vejo isso como uma coisa completamente absurda. Nós precisamos esquecer essa hipótese. Derrubar um presidente agora, causar um terremoto desse no Brasil, será que vale a pena? Será que compensa? Confio na Polícia Federal, confio na Justiça, sobretudo agora, que está caindo todo mundo: Aécio, Dilma, Lula, Temer, Cunha, todos os caciques da velha política”, aponta.

 

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