Servidores definem greve geral a partir de hoje no Paraná

Representantes de 22 sindicatos que fazem parte do Fórum das Entidades Sindicais do Paraná (FES) se reúnem nesta segunda..

Narley Resende - 10 de outubro de 2016, 10:12

Representantes de 22 sindicatos que fazem parte do Fórum das Entidades Sindicais do Paraná (FES) se reúnem nesta segunda-feira (10) para discutir o início da greve geral dos servidores estaduais, caso o governo do Estado não recue da decisão prevista em emenda à Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de congelar o reajuste dos servidores que estava previsto para 2017. A promessa do reajuste foi utilizada pelo governo para acabar com a greve do ano passado, que durou 44 dias.

Em janeiro de 2016, os servidores deveriam receber a inflação acumulada em 2015, mais um ponto percentual de aumento real. Por causa da promessa, o reajuste do ano passado foi de apenas 3,45%.

Insatisfeitos com a medida, sindicatos realizaram 12 convocações de assembleias para esta semana. A APP-Sindicato, que representa professores da rede estadual de ensino, marcou assembleia para quarta-feira (12), a partir das 8h em Curitiba. Professores do Interior do Paraná devem vir à capital em ônibus fretados.

Representantes do sindicato já marcaram greve a partir da segunda-feira, dia 17. APP-Sindicato, Sindisaúde (servidores da Saúde) e Sindi Seab (servidores do Abastecimento) já tem indicativo de greve aprovado desde julho.

O Sindijus-PR (servidores do Judiciário) convocou a categoria para mobilizações em defesa dos servidores do Paraná para esta segunda e terça-feira. Os atos também são contra a PEC 241 "que restringem gastos com pessoal, congelam salários, acabam com o concurso público e retiram direitos conquistados à duras penas durante anos".

Agentes penitenciários também realizam plenárias em várias cidades do estado. "Já estávamos avisando os agentes desse risco de que, passada a eleição, o governo apresentasse uma proposta ainda mais pesada contra nós”, afirma a presidente do Sindarspen, Petruska Sviercoski.

Universidades

Servidores das universidades estaduais do Paraná realizam assembleias nesta segunda-feira (10). O Sindicato dos Professores do Ensino Superior Público Estadual de Londrina e Região que representa profissionais da UEL, UENP e Unespar-Apucarana; Sesduem (Sindicato dos Docentes da Universidade Estadual de Maringá) também sugerem adesão à greve geral.

“Houve uma quebra de acordo e, por isso, a insatisfação é grande. Vamos fazer a assembleia e a possibilidade de greve é grande”, diz o presidente do Sesduem, Edmilson Aparecido da Silva.

Servidores e técnicos da UEM (que abrange também funcionários do Hospital Universitário) aprovaram indicativo de greve na sexta-feira (7). A assembleia será dia 17.

Serviços afetados 

Entre os principais serviços afetados em uma eventual greve estão aulas em escolas e universidades, e atendimentos em hospitais. O Paraná tem 2,1 milhões de alunos matriculados em escolas da rede estadual de ensino e 45 mil nas universidades estaduais.

Uma greve geral de servidores também pode afetar atendimento em hospitais universitários, como em Maringá e Londrina, e outros com atendimento de técnicos representados pelo Sindisaúde. Com uma greve de agentes penitenciários, a visita a presos, banhos de sol, operações de remoção e organização de presídios ficam prejudicadas.

Sem reajuste

A lei em questão determina que o governo pague, em 1° de janeiro, o reajuste atrasado dos servidores, repondo os índices de inflação de janeiro a dezembro de 2016, acrescentando ainda mais um percentual de 1% de adicional de data-base relativo à compensação dos meses não pagos do ano de 2015. A lei foi proposta após acordo que encerrou a greve do funcionalismo no ano passado.

As propostas de emendas à Lei de Diretrizes Orçamentárias do Estado, que atrasa o pagamento do reajuste, foi encaminhada pelo governador Beto Richa à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), na última terça-feira. Elas foram lidas em plenário e precisam passar pelo trâmite da casa para ser apreciada no plenário.

O líder do governo na Assembleia, Luiz Claudio Romanelli, do PSB, anunciou na terça da semana passada que o congelamento dos salários dos servidores só será votado depois que o projeto de ajuste fiscal da União for aprovado em Brasília.

O PL-257 é o texto que estabeleceu a renegociação das dívidas e impôs novas regras aos Estados. O projeto já foi aprovado na Câmara Federal, mas ainda tem que passar no Senado, sem data marcada. Romanelli defendeu, no entanto, que o congelamento dos salários será necessário devido à crise financeira.