SPVS participa de evento global promovido pela Itaipu e ONU sobre uso sustentável da água

Especialistas de mais de 20 países do mundo se reuniram durante três dias para compartilhar experiências sobre o uso dos recursos hídricos.

Redação - 22 de junho de 2022, 18:58

Divulgação/SPVS
Divulgação/SPVS

Especialistas de entidades públicas e privadas de 22 países se reuniram para apresentar projetos, falar de resultados e indicar caminhos viáveis, e cada vez mais inovadores e democráticos, para a utilização da água na geração de energia, inclusive, entre comunidades que ainda carecem deste recurso. Atualmente, mais de 730 milhões de pessoas não têm acesso à eletricidade e mais de dois bilhões de pessoas são afetadas de alguma maneira pela falta de água. O evento ocorreu entre 13 e 15 de junho, em Foz do Iguaçu, no Oeste do Paraná, e em Hernandárias, no Paraguai.

O primeiro Simpósio Global sobre Soluções Sustentáveis em Água e Energia foi promovido pela Itaipu Binacional e pela Undesa, o Departamento das Nações Unidas para Assuntos Econômicos e Sociais. A intenção do encontro foi compartilhar as melhores práticas que vêm sendo promovidas no globo em prol de uma maior sustentabilidade no uso dos recursos hídricos. Participaram cerca de 250 pessoas, representantes de governos, do setor privado, da sociedade civil, lideranças e especialistas em água, energia, ecossistemas terrestres e mudanças climáticas, além de organizações internacionais, como as Nações Unidas (ONU). 

Também foram abordados temas como mudanças climáticas, conservação da natureza, aproveitamento dos recursos naturais com base em novas tecnologias e outros temas relacionados aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU.

Rede Global para Soluções Sustentáveis de Água e Energia

Em 2018, a Itaipu Binacional e a Undesa fundaram a Rede Global para Soluções Sustentáveis de Água e Energia, com o intuito de compartilhar boas práticas e experiências com instituições e governos de todo o mundo. Com isso, entendiam ser possível conectar as metas dos ODS 6 (água) e 7 (energia) aos demais que integram a Agenda 2030 das Nações Unidas. Hoje, a Rede já tem 23 membros de diversas partes do mundo. A SPVS participou do encontro, a convite da Itaipu, em razão da parceria de vários anos que as instituições mantêm, com foco em projetos voltados à conservação da biodiversidade. 

Um dos resultados do evento foi a renovação de um acordo assinado entre a Itaipu e a Undesa visando “alcançar mais as metas e os objetivos previstos no acordo de cooperação original, para o período crítico de cinco anos da Década de Ação das Nações Unidas para o alcance dos ODS”. Com a renovação da parceria, espera-se que a Rede Global de Soluções sustentáveis de Água e Energia cresça ainda mais, de forma a incorporar todos os outros ODS, em especial, o 13 (mudanças climáticas) e o 15 (ecossistemas terrestres). 

Minoru Takada, o líder da Equipe de Energia Sustentável da Undesa afirmou que o evento apresentou soluções em água e energia que não estão só no papel, mas que estão sendo implementadas. “Isso nos mostra como somos capazes de alcançar um desenvolvimento sustentável”, disse.

A importância da conservação da natureza para a segurança hídrica

Para o diretor de Coordenação brasileiro da Itaipu, Luiz Felipe Carbonell, o evento contribuiu para o debate global nas questões de interesse coletivo. “Pudemos ver exemplos bem-sucedidos de manejo de territórios e de água. Essas iniciativas são fundamentais para estabelecermos estratégias capazes de ultrapassar possíveis crises”, afirmou. Segundo ele, é papel da Itaipu Binacional fornecer apoio para os que os dois países possam cumprir as metas globais. 

Carbonell destacou que a Itaipu é um exemplo que pode ser seguido por qualquer outra hidrelétrica no mundo no que se refere ao desenvolvimento de “hidroeletricidade em simetria perfeita com a sustentabilidade”. “Para manter a caixa d’água (o reservatório da usina), precisamos olhar para o território, de forma a gerar um círculo virtuoso para a geração de energia”, defendeu. Ele ainda destacou o trabalho de anos desenvolvido pela Itaipu de proteção às matas ciliares, tanto no lado brasileiro, quanto no paraguaio. O executivo lembrou que esse cuidado visa garantir que os US$ 3 bilhões em entradas financeiras que a Itaipu Binacional acumula anualmente se mantenham. 

Gustavo Ovelar, diretor de Coordenação paraguaio de Itaipu, reforçou a importância da cooperação entre a usina e a Undesa, fortalecida por meio do Simpósio, na busca por estratégias capazes de auxiliar no incentivo a políticas públicas vinculadas a soluções sustentáveis para água e energia.

Ao fim do evento, Martin Niemetz, especialista em Desenvolvimento Sustentável da Undesa, apresentou uma minuta com conclusões do encontro. Entre os 10 pontos do documento, destacou o consenso entre os países participantes (além de Brasil e Paraguai, Argélia, Bolívia, Emirados Árabes Unidos, Equador, Espanha, Estados Unidos, Etiópia, Filipinas Gana, Guatemala, Índia, Líbano, Nepal, Omã, Paquistão, Quénia, Sudão, Suíça, Tajiquistão e Tunísia) sobre a necessidade de sinergia para a cooperação na mitigação de problemas climáticos no mundo; a necessidade do fortalecimento de políticas de longo prazo para questões envolvendo água e energia; e a concentração de esforços e recursos financeiros para ampliar e acelerar o investimento em soluções inovadoras, como hidrogênio verde, por exemplo.

Também foi uma mensagem reforçada por vários painelistas a correlação direta entre segurança hídrica, energia e produção de alimentos, o que representa que a afetação de qualquer um dos três elementos altera também o desempenho da produção dos demais. O diretor de Terra e Água das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), Jippe Hoogeveen foi um dos atores a defender essa relação, destacando que a busca pelo equilíbrio entre esses elementos essenciais para o planeta e a manutenção da vida na Terra é premissa fundamental que precisa ser levada em conta por todos os países e por todas as pessoas. 

Pensar em soluções cada vez mais inteligentes para o uso equilibrado e racional dos recursos naturais é urgente. Caso contrário, a situação pode se agravar, já que, de acordo com a Agência Internacional de Energia (Aiea), até 2035, o consumo de energia promete aumentar em 50%, fato que acarretará em um aumento de 85% do consumo de água do setor energético. 

Itaipu e Certificação LIFE

Regiane Borsato, diretora-executiva do Instituto Life, participou de uma das mesas do evento e lembrou que, em abril de 2015, a Itaipu Binacional recebeu a Certificação Life, metodologia que avalia a eficiência do sistema de gestão ambiental de empresas e as ações para a conservação da biodiversidade. A Itaipu foi a terceira empresa do País a receber a certificação. “Por meio da certificação, as empresas, voluntariamente, se comprometem a aderir boas práticas sustentáveis em prol da conservação da natureza e do uso consciente dos recursos naturais e a Itaipu vem sendo uma referência nesta atuação, que pode inspirar outras empresas a nível nacional e internacional”, recordou. 

Em outra iniciativa executada, entre os meses de março e abril de 2022, representantes de instituições e comunidades do território do Brasil e do Paraguai participaram da aplicação-piloto do Padrão Internacional de Gestão Territorial Sustentável, resultado de uma parceria entre Itaipu Binacional, Instituto LIFE e Parque Tecnológico Itaipu (PTI). O objetivo foi testar o Padrão como uma ferramenta que permita medir a sustentabilidade territorial por meio de diversos parâmetros e indicadores. O Padrão é composto por uma metodologia desenvolvida pelo Instituto LIFE, formada por princípios, critérios e indicadores aprovados e reconhecidos internacionalmente e um software desenvolvido pelo PTI.

A metodologia pode ser aplicada por organizações públicas e privadas e abrange as questões ambientais, sociais, econômicas e culturais, nos meios urbanos e rurais, fornecendo resultados e relatórios compilados e gerados via plataforma on-line. A Faixa de Proteção do Reservatório é uma forma sustentável de fazer a gestão do território. 

Enquanto isso, no Brasil, as aplicações ocorreram no início de abril, e contaram com representantes de territórios que compõem as localidades da Bacia Hidrográfica do Ocoí, Consórcio Intermunicipal para Conservação do Remanescente do Rio Paraná e Áreas de Influência (Coripa), Corredor Santa Maria, municípios de Cascavel e Marechal Cândido Rondon e os municípios lindeiros ao Parque Nacional do Iguaçu.

O projeto piloto conta com a participação de representantes das comunidades indígenas, cooperativas, do setor empresarial e industrial, organizações não governamentais, produtores rurais, universidades e diversos municípios da região.