Start-up Goleiro de Aluguel conquista investidores milionários

Cristina Seciuk, CBN Curitiba Para cada problema, uma solução: foi assim que começou a empresa do Samuel Toaldo. Ele res..

Narley Resende - 01 de janeiro de 2017, 11:45

Cristina Seciuk, CBN Curitiba 

Para cada problema, uma solução: foi assim que começou a empresa do Samuel Toaldo. Ele resolveu criar uma ponte entre times de futebol desfalcados e um cobiçado goleiro para aquelas partidas entre amigos que perigam não sair por falta do homem das traves.

"Já fazia parte da minha vida se goleiro. Desde a infância, sempre fiquei embaixo da trave ali. E é uma posição muito injusta. Nos jogos entre amigos ninguém quer ficar no gol. Quando é pra revesar deixam a bola entrar pra não ficar no gol. Todo dia tinha jogo pra eu participar. Pessoal ia na minha casa, e eu jogava duas até três partidas por dia.

"Em janeiro de 2015, eu criei uma fan page com o nome de goleiro de aluguel com intuito de cobrar um valor por partida"

Toaldo viu a ideia ganhar corpo e clientela. De goleiro titular, passou a fundador e CEO da Goleiro de Aluguel.

"Os amigos próximos é não gostaram muito da ideia. Só que começou a aparecer muito time que eu não conhecia daqui da cidade de Curitiba me convidando para jogar. Um mês depois eu já não dava conta de todos esses jogos. Abri um cadastro da região, que depois evoluiu para um site. Um desses goleiros se cadastrou, acabou virando meu sócio. O resultado foi um aplicativo que hoje funciona em todo o Brasil e já estamos exportando até pra fora", comemora.

Atualmente são mais de seis mil jogadores cadastrados e seiscentas partidas realizadas a cada mês nas mais diversas cidades. As campeãs em escalações são Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, São Paulo e Rio.

Segundo Samuel com a evolução do serviço o potencial do aplicativo ficou muito mais evidente.

"Nós ficamos trabalhando durante um ano no nosso site, fazendo todas as operações manuais, tem contato direto com os contratantes e os goleiros. Realizamos um estudo de mercado, pegamos dados da Fifa, da CBF, da Federação Paranaense. Chegamos a conclusão de que no Brasil acontecem mais de um milhão de partidas por mês em quadras de aluguel. Cerca de 60% não tem um goleiro fixo".

Com esse conhecimento de mercado e os números favoráveis, surgiu a oportunidade de apresentar a start-up a grandes investidores, no programa de tevê Shark Tank Brasil.

Samuel e o sócio Eugen Braun fecharam negócio com dois grandes: os fundadores da BR Sports e da Polishop. O aporte acordado é de R$ 250 mil, mas Samuel garante: a conquista dos novos sócios vai muito além do dinheiro.

"Por trás, nos bastidores, tem muito mais coisa acontecendo. Tanto que você ter dois 'tubarões' milionários como sócios da sua start-up, a empresa, do dia para a noite acaba valorizando 10 vezes".

E o Goleiro de Aluguel também vai mais longe do que o simples serviço oferecido pelo aplicativo. Desde o começo a busca era por muito mais que um jogo.

"Desde o primeiro jogo que entrei em campo como goleiro de aluguel, parte do valor que eu arrecadava já selecionava para ajudar crianças carentes dos bairros aqui de Curitiba. Doava bolas, luvas de goleiro, e outros materiais esportivos. Conforme nós fomos crescendo, conseguimos ajudar mais crianças aqui da região. Depois surgiu a oportunidade de patrocinar a seleção brasileira feminina de futsal de surdas. As meninas foram para a Tailândia disputar o mundial feminino e voltaram com uma medalha de prata, com nosso apoio", revela.

14938388_1791606741085915_4854263051332640260_nCinco por cento do valor pago por cada partida vai para ações sociais. O recurso atende duzentas crianças, com um projeto que cruzou o Atlântico e chegou até Mali, um dos países mais pobres da África.

"Nós crescemos tanto nesses últimos meses que nós conseguimos fundar uma escola de goleiros lá em Mali. Então hoje, as pessoas utilizam nosso aplicativo, além de praticarem esporto; os goleiros tirarem uma grana extra; estão fazendo um investimento na sociedade".

Para contratar um Goleiro de Aluguel é só baixar o aplicativo, disponível para Android e iOS. As contratações por partida variam dos R$ 30 aos R$ 60.