Mais de 20% dos médicos acreditam em subnotificação de mortes por Covid-19

Redação

Covid-19: Brasil registra 2,7 milhões de casos e 94 mil mortes

Um em cada 5 médicos diz acreditar que o número de mortes provocadas pela Covid-19 é maior do que as estatísticas oficiais nacionais. Conforme pesquisa da APM (Associação Paulista de Medicina), quase metade dos profissionais acha que existe subnotificação em algum nível.

De acordo com o estudo divulgado nesta segunda-feira (7), 21,5% dos médicos acreditam que o número de mortos é maior do que o divulgado pelo Ministério da Saúde. Em relação ao número de casos, a desconfiança nos dados oficiais atinge 45,4% dos profissionais.

Considerando os dados oficiais das secretarias estaduais de saúde, a desconfiança é menor. A mesma pesquisa aponta que, em relação aos números da Covid-19 divulgados pelos estados, 18,5% dos médicos acreditam que há subnotificação de mortes, e 37% veem subnotificação nos casos.

O estudo ouviu 1.984 médicos em 23 estados do país. Entre os que participaram do estudo, 60% estão atendendo em hospitais ou prontos-socorros que recebem pacientes com covid-19. Desses, 38,5% atuam em serviços públicos, 33% em privados e 28,5% em ambos.

Entre os que atendem pacientes com o Covid-19, 58,4% disseram que não observaram nenhuma morte causada pela doença. Para 29,1% desses profissionais que estão na linha de frente, os números de mortes divulgados pelos órgãos oficiais estão corretos.

Um percentual um pouco menor (24,6%) também avalia que os números de casos estão próximos da realidade. Há ainda 15% que não conseguem ter uma opinião formada a respeito das estatísticas.

O presidente da APM, José Luiz Gomes do Amaral, diz que parte dos profissionais de saúde diz acreditar que há um descolamento entre as estatísticas e a realidade dos hospitais.

“O movimento de atendimento continua”, enfatiza sobre os pacientes que chegam com covid-19 às unidades de saúde.

COVID-19 E A FALTA DE TESTES

Outro ponto que gera essa desconfiança é, segundo Amaral, a falta de testes.

“Depois, porque nem todos os pacientes são testados. Então, nós acabamos não conseguindo detectar todos os casos. As notificações nos órgãos oficiais partem sobre notificações obrigatoriamente testadas, como nem todos os pacientes são testados, haverá notificação, de casos e, com uma probabilidade um pouco menor, mas também de óbitos”, explica.

A falta de testes para Covid-19 foi um ponto levantado por 37,8% dos entrevistados que atuam no enfrentamento à pandemia. O fator também contribui para a subnotificação.

Segundo a pesquisa, 15% disse que os testes para confirmar os casos da doença nem sempre estão disponíveis e 22,7% disse que só há exames para pessoas com sintomas graves.

NOTÍCIAS FALSAS

Também foi relatada a falta de testes para profissionais de saúde com sintomas de Covid-19. Segundo 25,4% dos médicos, nem todos os lugares onde trabalham há exames para esses profissionais e 5,1% disseram que não há testes em nenhum dos locais onde atuam.

A maior parte dos médicos avalia que as notícias falsas e boatos têm atrapalhado no combate à doença. Para 69,2%, as fake news fazem com que parte da população minimize a pandemia e não siga todas as orientações necessárias para reduzir o contágio.

Outro problema, apontado por 48,9%, é que a desinformação faz com que as famílias e pacientes pressionem pela prescrição de tratamentos sem comprovação científica.

“O mais relevante é uma campanha para adesão às medidas de contenção à Covid-19. A população não está aderindo às medidas sugeridas para diminuição do contágio. As autoridades de saúde também não estão se empenhando o suficiente para isso”, ressalta o presidente da APM.

*Com informações da Agência Brasil

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