Suspeito de terrorismo preso em Curitiba não tinha passagem pela polícia

Mariana Ohde


A Polícia Federal (PF) prendeu, nesta quinta-feira (21), na Operação Hashtag, dez pessoas que teriam ligação com o grupo terrorista Estado Islâmico e estariam planejando atentados nas Olimpíadas deste ano, no Rio de Janeiro (RJ).

Informações obtidas a partir da quebra de sigilo de dados e telefônicos revelaram indícios de que os investigados promoviam a intolerância racial, de gênero e religiosa, bem como o uso de armas e táticas de guerrilha para praticar atentados. Segundo a Veja, os integrantes do grupo usavam nomes árabes e nomes falsos para se identificar. O grupo é composto por quatorze pessoas, dentre as quais, dez foram presas.

Os nomes apontados são: Alisson Luan de Oliveira, Antonio Andrade dos Santos Junior (Antonio Ahmed Andrade), Daniel Freitas Baltazar (Caio Pereira), Hortencio Yoshitake (Teo Yoshi), Israel Pedra Mesquita, Leandro França de Oliveira, Leonid El Kadri de Melo (Abu Khalled), Marco Mario Duarte (Zaid Duarte), Matheus Barbosa e Silva (Ismail Abdul-Jabbar Al-Brazili), Mohamad Mounir Zakaria (Zakaria Mounir), Oziris Moris Lundi dos Santos Azevedo (Ali Lundi), Valdir Pereira da Rocha (Valdir Mahmoud) e Vitor Barbosa Magalhães (Vitor Abdullah). Alguns deles foram batizados virtualmente pelo grupo Estado Islâmico e juraram lealdade aos extremistas.

Cerca de 130 policiais cumpriram 10 mandados de prisão. Dois dos detidos já foram condenados e cumpriram pena de seis anos por homicídio. Além disso, foram cumpridos dois mandados de conduções coercitivas e 19 de buscas e apreensões, nos estados do Paraná, Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Ceará, Paraíba, Amazonas e Goiás.

Entre os detidos, está Levi Ribeiro Fernandes de Jesus, que se identificava como Muhammad Ali Huraia. Levi tem 21 anos e é de Guarulhos (SP), mas morava atualmente em Colombo, na região metropolitana de Curitiba. Levi não tinha passagem pela polícia, mas chegou a ser considerado o líder do grupo ontem, pelo Ministro da Justiça, Alexandre de Moraes. Segundo a polícia, ele era um dos mais ativos nas redes sociais usadas pelo grupo.

O juiz da 14ª vara da Justiça Federal em Curitiba, Marcos Josegrei, afirmou em entrevista coletiva, na tarde desta quinta-feira, que, nas interceptações telefônicas, os supostos terroristas afirmaram que tinham o objetivo de realizar algum ato durante os jogos olímpicos. “Eles passaram de simples comentários sobre Estado Islâmico e terrorismo para atos preparatórios”, disse o ministro Alexandre de Moraes.

As investigações começaram em abril, com acompanhamento por meio das redes sociais, pela Divisão Antiterrorismo da Polícia Federal. Os suspeitos participam de um grupo virtual chamado “Defensores da Sharia” e planejavam adquirir armas para cometer crimes no Brasil e no exterior. Uma ONG com ação na área humanitária também é investigada por participação no caso.

Eles tiveram contato com o grupo Estado Islâmico através do aplicativo de troca de mensagens Telegram. Um mensageiro do EI teria afirmado ao grupo de brasileiros que eles deveriam treinar como lutar e manusear armas. Na entrevista, Alexandre de Moraes disse que se trata de “uma célula amadora”.

Os investigados vão responder pelos crimes de promoção e organização terrorista e realização de atos preparatórios para o terrorismo. A pena para o primeiro crime é de cinco a oito anos de prisão, mais multa. Para quem executa os preparativos a pena é de três à 15 anos de reclusão.

Os artigos 3º e 5º da Lei 13.260, de 16 de março de 2016, que disciplina o terrorismo preveem como crime: “Promover, constituir, integrar ou prestar auxílio, pessoalmente ou por interposta pessoa, a organização terrorista” e art. 5º: Realizar atos preparatórios de terrorismo com o propósito inequívoco de consumar tal delito”.

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Mariana Ohde
Repórter no Paraná Portal