Tecnologia pode ajudar a evitar tragédias como Brumadinho e Ninho do Urubu

Muito se fala em prevenção depois que as tragédias acontecem. Será que os avanços tecnológicos são mesmo capazes de evit..

Simone Giacometti - 19 de fevereiro de 2019, 19:29

Foto: Pixabay
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Muito se fala em prevenção depois que as tragédias acontecem. Será que os avanços tecnológicos são mesmo capazes de evitar que acidentes como o rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, ou o incêndio no Ninho do Urubu no centro de treinamento do Flamengo, no Rio de Janeiro, sejam evitados? Para o especialista em tecnologia, Cid Vianna, essa é uma realidade que já deveria estar sendo colocada em prática no Brasil.

Segundo ele, há muitas maneiras de utilizar TI de forma consciente e prática para proteger pessoas. “No Brasil vivemos uma fase em que a estrutura física está em colapso. O incêndio do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, o desmoronamento do elevado em São Paulo e, recentemente, Brumadinho, são provas de que algo não vai bem. Em situações semelhantes, a instalação de sistemas relativamente simples, com sensores, poderiam ter disparado alertas para que providências fossem tomadas antes de algo ruim acontecer. No caso de Brumadinho, por exemplo, hoje através da tecnologia, há como monitorar o terreno em tempo real. Ou seja, muito antes da barragem se romper, você poderia ter sensores que mostrariam para a equipe de engenharia que já haviam sinais de colapso evidente.”

No caso das grandes construções de concreto, podem ser utilizados equipamentos que avaliem as condições do material. O monitoramento em tempo real permite sabe se a estrutura está cedendo, se há rachaduras e se é preciso fazer interdições preventivas.    Apesar do Brasil fazer parte de um seleto grupo de grandes produtores de tecnologia, consumimos muito pouco do que é feito aqui. Um estudo realizado no fim do ano passado pela empresa norte-americana de tecnologia Citrix, coloca o país entre os países que mais usam plataformas e infraestruturas em nuvem, com 57% de empresas adeptas desta tecnologia. No entanto, esse tipo de investimento ainda não entra na pauta das políticas públicas.   A pesquisa avaliou a percepção e o conhecimento que os gestores de TI têm sobre dinâmica, benefícios e desvantagens, ou seja, o panorama de serviços na nuvem, segurança de dados e novos estilos de trabalho. Foram entrevistados 550 gestores de TI, na Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e México. E a automação aparece como tendência para 2019.

É o que Cid Vianna chama da “internet das coisas”. O especialista contextualiza o uso da tecnologia não só na prevenção de catástrofes, mas para melhorar a qualidade de vida das pessoas. “A internet das coisas é um conceito que pode ser aplicado ao dia a dia. Por exemplo, você chega em casa e pode configurar todas as luzes, a temperatura do ar condicionado ou acionar uma cafeteira com as preferências pessoais. Se você tiver um idoso em sua casa, existe uma série de dispositivos em que você consegue monitorar a situação dessa pessoa. É possível saber se ela está caída, se está sem se movimentar há muito tempo e isso gera um alerta, dados vitais que podem ser enviados a uma central médica, até para antecipar um atendimento”, exemplifica ele. 

Outra tendência para 2019 deve ser a aplicação tecnológica em serviços repetitivos. As empresas devem investir cada vez mais em automação das atividades, reduzindo custos e falhas humanas. Nos últimos cinco anos o mercado da internet cresceu no mundo todo algo em torno de 35% em termos de uso de tecnologia massificada. E nos próximos cinco anos, os números devem seguir acelerados.

Os custos para implantação de sistemas caiu. “Eu diria que hoje a tecnologia não é cara. Nós já saímos desse campo em que a tecnologia custa muito. Tudo está bem mais acessível e entramos num patamar de banalização e interiorização de tecnologia do cotidiano, vista até como tendência de moda. Hoje a gente não consegue mais enxergar a vida sem internet, sem um celular à mão”, observa Vianna.

Outra curiosidade em relação ao Brasil, diz respeito às startups, empresas que produzem tecnologia. O país está muito próximo ou até é superior nesse sentido. O que falta, segundo Cid Vianna, é a aplicação correta dessa tecnologia em nosso próprio território. “Temos muitas empresas que comercializam tecnologia, mas ainda somos dependentes de politicas públicas que as apliquem adequadamente. E é essa realidade que precisa mudar”, finaliza ele.