Covid-19: testes rápidos têm chance de acerto de apenas 25% em resultados negativos

Ricardo Della Coletta - Folhapress e Natália Cancian - Folhapress

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O ministério da Saúde apontou “limitações importantes” nos testes rápidos da Covid-19, doados pela Vale e que começaram a ser distribuídos aos estados. A pasta destacou que, nas análises que apontam negativo para o coronavírus, a probabilidade que o resultado apresente a realidade é de apenas 25%.

As informações constam em documento distribuídos a gestores estaduais e municipais, que manifestam preocupações com a baixo índice de acerto dos testes que não detectam o novo coronavírus.

TESTES RÁPIDOS PREOCUPA GESTORES NOS ESTADOS COM ALTO VOLUME DE FALSO NEGATIVO

Os testes rápidos -que buscam anticorpos produzidos contra o vírus- são indicados apenas para profissionais que estão na linha de frente do combate à doença, como agentes de saúde e de segurança. A análise é feita após o sétimo dia de apresentação de sintomas.

A preocupação dos gestores nos estados é que o alto volume de falso negativos gera insegurança na hora de definir os profissionais que estão aptos a trabalhar na emergência e os que precisam cumprir isolamento. As dificuldades foram reconhecidas pelo ministério, que promete enviar instruções com recomendações para o melhor uso das análises.

“O material adquirido de empresa chinesa para doação ao ministério da Saúde apresentam limitações importantes. A pasta está ajustando as instruções e elaborando uma nota informativa com recomendações e orientando o uso do teste para garantir que o uso do mesmo pelos estados e municípios seja coerente com o que o teste pode oferecer”, afirmou a pasta em nota.

O ministério começou a distribuir nesta quarta-feira (1º) um primeiro lote de 500 mil testes rápidos, de um total de 5 milhões adquiridos e doados pela mineradora.

“VAMOS AUMENTAR NOSSA PERCEPÇÃO”, DIZ MANDETTA

O valor preditivo positivo -que expressa a probabilidade de um paciente com o teste positivo de fato ter a doença- é maior, de 86%. Enquanto o fabricante apontou alta sensibilidade, a análise laboratorial feita pela empresa brasileira indicou desempenho inferior, de 32%.

A baixa proporção de acertos nos resultados negativos para o Covid-19 é explicada, segundo a infectologista Carolina Lázari, pela divergência entre a sensibilidade do produto apresentada pelo fabricante chinês e a certificada por uma rede de laboratórios no Brasil.

Nesta quarta, o ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) afirmou que esse tipo de análise “tem um índice de sensibilidade que dá falso negativo”.

“Os testes rápidos vamos usar muito para testar sequencial. Ah, mas só dá 30%, 40% de sensibilidade… Ok, se a gente faz em rodada, vamos aumentar a nossa percepção, e usamos isso como boa ferramenta de auscultar a nossa sociedade”, declarou o titular da pasta, em coletiva no Palácio do Planalto.

Em nota, o ministério da Saúde argumentou também que os testes rápidos serão usados como uma ferramenta para o auxílio no diagnóstico da Covid-19.

“Os resultados negativos não excluem a infecção por SARS CoV 2”, ressalta. A pasta argumenta ainda que análises feitas após o sétimo dia do início dos sintomas podem “melhorar os parâmetros para o resultado”.

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