Paul Milgrom e Robert Wilson vencem Nobel de Economia por teoria dos leilões

Ana Estela de Sousa Pinto - Folhapress


A pesquisa sobre a teoria dos leilões e novos formatos de leilão deu aos economistas americanos Paul Milgrom, 72, e Robert Wilson, 83, ambos da Universidade Stanford, o Prêmio Nobel de Economia deste ano.

Grande parte das pesquisas sobre leilões se desenvolveram nos anos 1990, e a modalidade ganhou forte impulso na internet, não só em sites de compra e venda, mas em transações financeiras, afirmou Wilson em entrevista coletiva logo após receber o prêmio.

Leilões são usados hoje no mundo todo para vender espectros de onda de rádio, cotas de pesca, slots de aterrissagem em aeroportos e energia elétrica, entre outros produtos e serviços. “Graças à rica teoria de Milgrom e Wilson é possível adotar novas formas para o benefício dos compradores, dos venderores, dos usuários de serviços, dos contribuintes e da sociedade em geral”, afirmou o professor de economia das universidades de Lund e Estocolmo, Tommy Andersson, especialista no assunto.

Os premiados recebem 9 milhões de coroas suecas (R$ 5,65 milhões, pela cotação de sexta, 9). Wilson, que contou que sua mais recente compra num leilão foi um par de botas de ski, disse que guardaria o dinheiro para sua família. “Com a pandemia do coronavírus, não há muito o que fazer. Não se pode viajar”, afirmou.

NOBEL DE ECONOMIA NÃO É UM PRÊMIO NOBEL

Popularmente chamado de Nobel de Economia e com o mesmo prestígio que os de outras áreas, o prêmio de ciências econômicas é o único que não fez parte do testamento de Alfred Nobel (1833-1896), um engenheiro e químico sueco, conhecido por ter inventado a dinamite e desenvolvido a borracha e o couro sintéticos.

Um ano antes de morrer, Nobel destinou 94% de sua fortuna de 31 milhões de coroas suecas (equivalente a R$ 1,1 bilhão nos dias de hoje) à criação de um prêmio que reconhecesse anualmente “o maior benefício à humanidade” nas áreas da química, física, medicina, literatura e paz.

Criado em 1968 pelo Banco Central da Suécia (Sveriges Riksbank), ele tem o prêmio de economia tem o nome oficial de Prêmio Sveriges Riksbank em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel. É concedido pela Real Academia Sueca de Ciências, de acordo com os mesmos princípios dos Prêmios Nobel originais, que são atribuídos desde 1901.

A candidatura é feita apenas por convite e, por regulamento, os nomes dos indicados e outras informações sobre as indicações não podem ser revelados até 50 anos depois. Podem indicar nomes para o Nobel econômico membros da Real Academia de Ciências da Suécia, do comitê do prêmio, ex-premiados, acadêmicos escandinavos e de pelo menos outras seis instituições selecionadas a cada ano e outros cientistas de quem a Academia de Ciências considere adequado solicitar propostas.

O premiado é escolhido pela Academia de Ciências, a partir das recomendações do Comitê do Prêmio de Ciências Econômicas, composto por cinco membros. Os outros prêmios do ano A reunião em que os vencedores do Nobel são definidos ocorreu com mudanças em 2020; para evitar contaminações, foi dividida em encontros menores, a partir dos quais foram feitas as escolhas. Os premiados deste ano não irão a Estocolmo para receber o prêmio.

Na edição de 2020, a láurea de Medicina foi para a descoberta do vírus da hepatite C. Foram premiados Harvey Alter, dos Institutos Nacionais de Saúde dos EUA (NIH), Michael Houghton, da Universidade de Alberta, e Charles Rice, da Universidade Rockefeller. Já a láurea de Física ficou com os pesquisadores Roger Penrose, Reinhard Genzel e Andrea Ghez, que melhoraram o entendimento humano sobre buracos negros.

O prêmio da Química foi para Emmanuelle Charpentier, do Instituto Max Planck, da Alemanha, e Jennifer Doudna, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, pelo desenvolvimento do método Crispr/Cas9 (pronuncia-se “crísper”) de edição do genoma utilizada na busca da cura para doenças genéticas e câncer. A láurea de Literatura foi para a poeta americana Louise Glück, por sua “voz poética inconfundível que, com beleza austera, torna universal a existência individual”.

O Prêmio Nobel da Paz foi concedido ao Programa Mundial de Alimentos, “por seus esforços para combater a fome, por sua contribuição para melhorar as condições de paz em áreas afetadas por conflitos e por atuar como uma força motriz em esforços para prevenir o uso da fome como arma de guerra e conflito”. Nesta quinta (8), o príncipe britânico William, 38, lançou um prêmio ambiental que pretende se transformar no equivalente ao Nobel da área.

O Earthshot Prize concederá cinco prêmios de 1 milhão de libras (R$ 7,2 milhões) a cada ano durante os próximos 10 anos nas categorias de proteção e restauração da natureza, ar mais limpo, recuperação dos oceanos, redução de resíduos e mudança climática.

Relembre os vencedores do prêmio de economia:

2019 – Abhijit Banerjee , Esther Duflo e Michael Kremer, “por sua abordagem experimental para aliviar a pobreza global”
2018 – William Nordhaus e Paul Romer, por revelarem fatores que impulsionam o crescimento sustentável e o papel de políticas públicas na determinação de seu impacto
2017 – Richard H. Thaler (EUA), por estudo do comportamento na tomada de decisões
2016 – Oliver Hart (Grã-Bretanha) e Bengt Holmström (Finlândia), por estudos na área de contratos
2015 – Angus Deaton (EUA), por estudos sobre consumo, pobreza e bem-estar social
2014 – Jean Tirole (França), devido a pesquisas sobre o poder de mercado de grandes empresas
2013 – Eugene Fama, Robert Shiller e Lars Peter Hansen (todos dos EUA), por estudos de análise sobre preços de ativos
2012 – Alvin Roth e Lloyd Shapley (ambos dos EUA), por trabalhos sobre como otimizar oferta e demanda
2011 – Thomas J. Sargent e Christopher A. Sims (ambos dos EUA), por pesquisa sobre causas e efeitos na macroeconomia
2010 – Christopher Pissarides (Chipre) e Peter Diamond e Dale T. Mortensen (ambos dos EUA), por estudos sobre demandas dos mercados e a dificuldade em correspondê-las
2009 – Elinor Ostrom e Oliver Williamson (EUA), pela demonstração de como propriedades podem ser utilizadas por associações de usuários e pela teoria sobre resolução de conflitos entre corporações, respectivamente
2008 – Paul Krugman (EUA), pela análise dos padrões do comércio e da localização da atividade econômica
2007 – Leonid Hurwicz, Eric S. Maskin e Roger B. Myerson (EUA), pela aplicação das bases da teoria do desenho dos mecanismos
2006 – Edmund S. Phelps (EUA)
2005 – Robert J. Aumann (Israel e EUA) e Thomas C. Schelling (EUA), por estudos sobre conflito e cooperação em negociações por meio da análise da teoria dos jogos
2004 – Finn E. Kydland (Noruega) e Edward C. Prescott (EUA), por pesquisa sobre o desenvolvimento da teoria da macroeconomia dinâmica e seus estudos sobre os ciclos de negócios
2003 – Robert F. Engle 3º (EUA) e Clive W.J. Granger (Reino Unido)
2002 – Daniel Kahneman (EUA e Israel) e Vernon L. Smith (EUA)
2001 – George A. Akerlof, A. Michael Spence e Joseph E. Stiglitz (EUA)
2000 – James J. Heckman e Daniel L. McFadden (EUA)
1999 – Robert A. Mundell (Canadá)
1998 – Amartya Sen (Índia)
1997 – Robert C. Merton e Myron S. Scholes (EUA)
1996 – James A. Mirrlees (Reino Unido) e William Vickrey (EUA)
1995 – Robert E. Lucas Jr. (EUA)
1994 – John C. Harsanyi (EUA), John F. Nash Jr. (EUA) e Reinhard Selten (Alemanha)
1993 – Robert W. Fogel e Douglass C. North (EUA)
1992 – Gary S. Becker (EUA)
1991 – Ronald H. Coase (Reino Unido)
1990 – Harry M. Markowitz, Merton H. Miller e William F. Sharpe (EUA)
1989 – Trygve Haavelmo (Noruega)
1988 – Maurice Allais (França)
1987 – Robert M. Solow (EUA)
1986 – James M. Buchanan Jr. (EUA)
1985 – Franco Modigliani (EUA)
1984 – Richard Stone (Reino Unido)
1983 – Gerard Debreu (EUA)
1982 – George J. Stigler (EUA)
1981 – James Tobin (EUA)
1980 – Lawrence R. Klein (EUA)
1979 – Theodore W. Schultz (EUA) e Sir Arthur Lewis (Reino Unido)
1978 – Herbert A. Simon (EUA)
1977 – Bertil Ohlin (Suécia) e James E. Meade (Reino Unido)
1976 – Milton Friedman (EUA)
1975 – Leonid Vitaliyevoch Kantorovich (Rússia) e Tjalling C. Koopmans (EUA)
1974 – Gunnar Myrdal (Suécia) e Friedrich August von Hayek (Áustria)
1973 – Wassily Leontief (EUA)
1972 – John R. Hicks (Reino Unido) e Kenneth J. Arrow (EUA)
1971 – Simon Kuznets (EUA)
1970 – Paul A. Samuelson (EUA)
1969 – Ragnar Frisch (Noruega) e Jan Tinbergen (Holanda)

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